"O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta" é um romance iniciado em 1958 e publicado em 1971, que versa sobre o sentimento do sebastianismo, tentando fazer ressurgir a figura de Dom Sebastião, o rei português transformado em lenda.
"Todos esses autores, inclusive Suassuna, se fixaram sobre a sociedade interiorana, a tradição do interior do Brasil, da cultura popular ibérico-religiosa, sobre o que eu chamo de caboclo sertanejo, em oposição ao objeto da literatura brasileira até então, da cultura das cidades litorâneas de colonização europeia", destaca Dacanal, que também leu a peça teatral "O Auto da Compadecida" e cuja tese de Doutorado em Literatura Brasileira na Ufrgs "A Roça Imigrante e o Sertão Mineiro" se debruçava sobre o tema do interior agrário, o sertão, como era representado em "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa e sua relação com a sociedade colonial-imigrante clássica do Sul do Brasil.
Nos úlitmos 10 anos, Ariano Suassuna esteve na Feira do Livro de Porto Alegre pelo menos duas vezes, em 2005 e em 2008, quando proferiu a aula-espetáculo, que abriu a 54ª edição da festa das letras gaúchas, que superlotou o Teatro Sancho Pança, no Cais do Porto. Em junho do ano passado, ele participou da Feira do Livro de Canoas. Também em 2005, no mês de agosto, participou da 11ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo.
Em 4 de novembro de 2005, o ator e diretor Roberto Oliveira, à frente do grupo Depósito de Teatro prestou homenagem, com sua trupe, à Suassuna no Clube do Comércio, durante a 51ª Feira da Capital. Roberto havia montado em 2000 o espetáculo "O Auto da Compadecida", com atores como Nelson Diniz, Heinz Limaverde, Liane Venturella e Sandra Possani, que recebeu quatro troféus Açorianos de Teatro: Melhor Espetáculo, Melhor Atriz Coadjuvante (Liane Venturella), Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora.
"Suassuana representava a grande voz nordestina, popular e brasileira. Um erudito que sabia como ninguém falar a fala do povo. Quanto à lacuna, afora a perda humana, acho que não deixa nenhuma, porque ele se vai, mas sua obra permanecerá viva para sempre, finalizo Roberto Oliveira.