Arte & Agenda

Petrobras lança novo edital para projetos culturais

PPC 2010 tem verba total de R$ 61,2 milhões, sendo que R$ 9 milhões já foram liberados

Petrobras lança edital de projetos culturais
Petrobras lança edital de projetos culturais Foto : Divulgação Agência Petrobras / CP
Salvador foi a capital brasileira escolhida para o lançamento da sexta edição do Programa Petrobras Cultural que, desde já, se encontra com inscrições abertas. O PPC 2010 tem uma verba total de R$ 61,2 milhões, sendo que R$ 9 milhões já foram liberados para festivais de cinema de música e de difusão de longas-metragens em salas de exibição.

O lançamento aconteceu na manhã de sexta, no Forte Santo Antônio, no centro histórico da capital baiana e um dos redutos da capoeira, e contou com a presença de autoridades como o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli; do ministro da Cultura, Juca Ferreira; e do governador Jacques Wagner.

A seleção pública irá contemplar 19 projetos em áreas culturais, dentro de três linhas de atuação: Formação, Preservação e Memória, e Produção e Difusão. Podem ser inscritos projetos destinados à recuperação e digitalização de acervos, à manutenção de grupos de artes cênicas, à produção de filmes, a eventos de cultura digital e artes eletrônicas, à gravação de CDs, turnês de shows e concertos, entre outras atividades. O edital também contempla ações de formação e educação para as artes, que terá aporte de R$ 2 milhões. O maior investimento do PPC será na área de audiovisual, com a produção de longas-metragens em 35mm, com valor total de R$ 21,2 milhões. O edital completo já pode ser conferido no www.petrobras.com.br/ppc.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, ressaltou o objetivo de criar um sistema transparente e que permita a clareza de critérios na escolha dos projetos, que não é feita pela Petrobras, mas sim por um grupo independente formado por pessoas ligadas às atividades culturais. O PPC, segundo Gabrielli, também vem se transformando como um auxiliar na formação e organização dos produtores culturais, e que o edital visa, principalmente, à descentralização da produção cultural brasileira.

Gabrielli lembrou que, em 2003, ano do primeiro edital, 75% das propostas vinham do eixo Rio-São Paulo e que, no ano passado, esse índice caiu para 60%. Baiano, ele justificou a escolha da Bahia para o lançamento como uma prova da ideia de descentralização, citou Padre Antônio Vieira, Gregório de Matos e Castro Alves, baluartes da “cultura rebelde nacional”.

Já o ministro Juca Ferreira propôs que os próximos editais também sejam lançados em outras capitais e falou sobre o aumento do verba para investimento de sua pasta que hoje representa 1% do orçamento da União, algo em torno de R$ 2 bilhões. E o governador baiano, o mais à vontade da cerimônia, disse que a ideia do PPC não é o da “pasteurização” da Cultura. “Não queremos concentração, mas dispersão”, completou o governador.

Criado em 2003, o PPC já distribuiu R$ 250 milhões em patrocínio para mais de mil projetos selecionados entre os 22 mil propostos. Elaine Costa, gerente de Patrocínio da Petrobras, lembrou que a empresa também investe em ações continuadas, como o Grupo Corpo e a Orquestra Petrobras e, este ano, com a turnê da companhia do dramaturgo José Celso Martinez Corrêa.

Vale-cultura pode sair a qualquer momento


O ministro da Cultura Juca Ferreira não se limitou ao discurso de ênfase do lançamento do edital do Programa Petrobras Cultural. Destacou que o projeto do vale-cultura, que destinará R$ 50 para trabalhadores de baixa renda para gastos em atividades culturais, pode sair a qualquer momento do papel.

O projeto já teve uma primeira aprovação, com emendas, na Câmara Federal, e deve injetar mais de R$ 7 bilhões na área. E o presidente Lula já teria lhe confidenciado que acha o valor pouco e que o ideal seria o dobro. Ferreira também antecipou que a atual Lei Rouanet de renúncia fiscal sofrerá importantes mudanças a fim de atender a demanda de projetos, assim como os recursos advindos do pré-sal, que terá parte investida em Cultura.

Como estava na Bahia e num centro histórico ligado à capoeira, Juca Ferreira também adiantou que está afinada a proposta, junto às Nações Unidas, para transformar a prática da capoeira como patrimônio mundial, já que ela é praticada em 150 países. “É a mundialização da cultura baiana”, completou o ministro.

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