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Pianista Yanto Laitano apresenta novo CD terça no Theatro São Pedro

Musico fará o show de lançamento de "Horizontes e Precipícios"

Pianista Yanto Laitano apresenta novo CD terça no Theatro São Pedro
Pianista Yanto Laitano apresenta novo CD terça no Theatro São Pedro Foto : Alex Ramirez / Divulgação / CP
O show de lançamento do CD "Horizontes e Precipícios", de Yanto Laitano, será nesta terça-feira, às 21h, no Theatro São Pedro (Praça da Matriz,s/nº). Os ingressos custam entre R$ 20 e R$ 50 no local.

Músico com sólida formação, mestre em música pela UFRGS, produtor musical e compositor de trilhas sonoras, Yanto procurou neste disco com 12 faixas, trabalhar com um pouco mais de simplicidade, de forma mais minimalista na composição das canções. Ele também inova ao fazer um rock sem guitarras, sendo o show com um power trio de piano, baixo e bateria, formada por ele nos pianos e órgão, por Filipe Narcizo no baixo (às vezes com distorção) e Duda Cunha na bateria.

Além de utilizar elementos do rock dos anos 70, como o ragtime, o jazz, Yanto permeia as canções com o estilo da música brasileira e som feito no rock gaúcho nos anos 70 e 80. Suas canções falam de amor e existencialismo com acidez e ironia e são interpretadas com uma performance visceral. Destacam-se músicas como "Meu Amor", "Dinheiro no Chão" e "Fim da Tarde". Além das suas canções, Laitano homenageia artistas que o influenciaram apresentando versões de clássicos de pianistas cantores como Zé Rodrix, Arnaldo Baptista e Charly Garcia (Argentina).
 
Sobre o disco e o show, Yanto concedeu entrevista exclusiva ao Correio do Povo, onde fala sobre o show, a criação do disco e o mito da existência de um rótulo para o rock gaúcho.
 
Correio do Povo - Como um músico de vanguarda conseguiu chegar a um CD com resultado tão musicalmente bem acabado e ao mesmo tempo simples e popular?
Yanto Laitano - Trabalhei muito tempo fazendo coisas muito complexas, tanto na criação como na escuta. Fiz graduação e mestrado em Música pela Ufrgs e uma bolsa no IRCAM, em Paris, criei trilhas e trabalhei sozinho ou com a Ex-Machina. Neste disco "Horizontes e Precipícios" busquei a simplicidade, a clareza, resumir as coisas ao mínimo, as palavras e as notas foram peneiradas o máximo possível. Busquei o novo, o diferente, o minimalismo aplicado às canções que sempre chegam ao rock e ao pop, que são as minhas referências de contestação, mas que comunicassem algo diretamente ao público.
 
CP - Interessante é a estranheza em algumas músicas como "Meu Amor", por exemplo. Com um instrumental agradável, a letra fala de "meu amor, eu te odeio, você me perturba e um dia ainda vou conseguir te matar. Fale a respeito disto.
Yanto - Acho legal chegar na antítese, na estranheza. No exemplo de "Meu Amor", posso cantar uma música suave, mas com a letra muito forte. Acho interessante causar esta estranheza no público.
 
CP - E o rock gaúcho, você reconhece as referências dele na sua música. Parece que você tem bronca deste rótulo.
Yanto - Sempre tive bronca deste conceito criado de que existe um rock gaúcho. Eu vim da academia, sempre analisei os estilos musicais e não consegui entender se não foi algo que a gente criou esta história de rock gaúcho. Acredito que haja um sotaque próprio que determina as sonoridades de bandas como TNT, Cascavelletes e Garotos da Rua, mas são bandas que bebem da referência do rock inglês dos anos 60 e 70. Eu prefiro ir direto à fonte, aos Beatles, Rolling Stones e também ao argentino Charly Garcia, que é para mim uma referência de pianista.
 
CP - Você tem explicações para o nome do CD "Horizontes e Precipícios"?
Yanto - Este nome se deve a uma constatação que tive que as palavras horizontes e precipícios eram recorrentes nas minhas canções. O horizonte é aquele aberto dos pampas, do lago Guaíba ou do alto do meu prédio no bairro Bom Fim. Os precipícios são a quebra destes horizontes, que ocorrem também nos Campos de Cima da Serra, no Cânion do Itaimbezinho. Mas vejo também precipícios nos prédios. A coisa do horizonte está ligada à melancolia, tanto lá na Serra como aqui ao nível do solo. A melancolia também está presente em referências como Vitor Ramil e Charly Garcia.
 
CP - E o show desta terça no Theatro São Pedro, conte-nos como vai ser.
Yanto - O repertório será fundamentado no novo disco, com músicas como "Meu Amor", "Dinheiro no Chão" e "Eu Não Sou Daqui". Terá cerca de 75 minutos de duração. O show foi pensado como um todo, como se fosse uma grande música, com começo, meio e fim. Ensaiamos muito e passei muito tempo elaborando um show que prendesse o espectador do início ao fim. Fizemos uma turnê pelo interior do Estado e por São Paulo. O show tem altos e baixos, alternância para causar interesse ao público. A luz de André Domingues e o cenário de Vicente Saldanha também são participantes do show como um quarto músico. Eles conversam. Tem momentos expressionistas, com matizes em preto e branco. Ele foi todo estudado para ter quebras e ápices.

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