No mês de agosto, a banda Planta e Raiz completou 27 anos de estrada e resolveu comemorar em grande estilo. O grupo disponibiliza nesta quinta-feira, dia 2 de outubro o álbum “Flor de Fogo” em todas as plataformas digitais. O trabalho foi lançado em vinil, em maio deste ano, e teve as vendas esgotadas rapidamente.
O primeiro single do disco foi disponibilizado no dia 15 de agosto. Foi a faixa inédita “Não Chore”, escrita por Zeider Pires, vocalista da banda. Ao todo são 10 faixas – duas inéditas e oito que fizeram parte do DVD “Ao Vivo em Noronha” e que, agora, serão lançadas na versão gravadas em estúdio. Além da inédita “Não Chore”, são elas: “Contemplador de Estrelas”, “Câmera Lenta”, “Partiu”, “Lilás (part. Laura Pires)”, “Um Milhão de Dias (part. Ziedro Pires)”, “Flor de Fogo”, “Rota do Mar”, “Viralizar o Amor” e “Passa a Bola (part. Mc Hariel”. “Quando gravamos o álbum ao vivo, fizemos também uma pré-produção do disco, registrando todas as faixas em estúdio. Duas dessas dez faixas não entraram na versão ao vivo e como ficaram muito legais, resolvemos dividir com os nossos fãs primeiro na versão vinil e agora em todas as plataformas digitais”, conta Zeider.
As músicas foram gravadas no estúdio El Rocha e mixadas por Fernando Sanches. São canções que falam muito sobre o Planta e Raiz, mas também um pouco sobre a vida de todo mundo. “Quando eu componho uma música, penso sempre no sentimento das pessoas. Às vezes, as vivências delas também são inspiração para mim”, conta Zeider, reiterando que as faixas falam sobre o cotidiano da vida, a natureza, sobre criatividade, fé e resiliência. O título, “Flor de Fogo”, quer dizer inspiração, algo que nos leva a criar e continuar.
Para falar deste belo trabalho da Planta e Raiz, o Correio do Povo conversou com Zeider Pires, que deu detalhes da sacada para produzir o disco a partir de canções que foram executadas no show de Fernando de Noronha, mas que ganharam versões de estúdio, além da criação de duas faixas novas. Acompanhe o papo com o músico, vocalista e compositor do Planta e Raiz.
CP – Queria que tu falasses um pouco desses processos de criação e gravação das músicas, essas mudanças de processo ao longo da história do Planta e Raiz e principalmente para o disco “Flor de Fogo”, que saiu em maio, em vinil primeiro, e agora está saindo nas plataformas.
Zeider Pires - Este é o nosso ritmo, sempre que a gente finaliza um projeto, a gente acaba embarcando em outro e já começa a produção. Então, acho que essas canções do “Flor de Fogo”, que também fazem parte do álbum “Ao Vivo em Noronha”, que a gente gravou ao vivo lá no Forte, em Fernando de Noronha. Gravamos 20 músicas dessas, 28 inéditas, que são essas músicas que viraram o “Flor de Fogo”. Então, acho que o processo foi acontecendo ali. A busca é incessante e muitas vezes intensa. Nessa busca, a gente acaba encontrando canções no meio dessa nossa sintonia com a vida, com o mundo, com a música, com as pessoas. E as canções vão surgindo. Eu me sinto muito sortudo e abençoado por ter encontrado essas harmonias, essas melodias e conseguido colocar uma poesia em cima para levar uma mensagem de amor, de esperança, de vida, de positividade, tudo aquilo que já faz parte do reggae desde sempre. Este é o lance. Um projeto atrás do outro. Às vezes o tempo que é diferente. Às vezes a gente demora um ano, às vezes um ano e meio para fazer um projeto, mas eu acho que o lance é esse. A gente está sempre buscando. E tem também a parada da lapidação, natural, da repetição, do ser humano. Quanto mais a gente estuda, quanto mais pratica, quanto mais faz alguma coisa, mais a gente aprende, mais a gente vai melhorando e ficando melhor naquilo. Então, a gente está há 27 anos, deixando essa água mole e caindo nessa pedra dura. O resultado é maravilhoso, com uma fanbase irada. A gente tem ali no Spotify quase um milhão de pessoas que nos seguem e também uma média de um milhão de ouvintes mensais. Tudo isso é é resultado dessa correria louca.
CP - E por que a ideia de lançar o disco primeiro em vinil?
Zeider - A gente estava com as versões em estúdio, que a gente gravou nesse disco “Ao Vivo em Noronha”. Então, a gente fez o contrário. Geralmente, as pessoas gravam o disco em estúdio e depois fazem um show para a galera cantar. A gente já meteu ao vivo e depois trouxe para o estúdio. E a ideia de lançar em vinil, com exclusividade, a princípio, foi justamente para a gente conseguir trazer a música de um jeito diferente. A música desconectada do digital. Uma música totalmente natural. E é um convite as pessoas a darem esse break. E quando a gente ouve a música em vinil, a gente senta no sofá, pega um café, pega um vinho, coloca o discão ali e presta atenção na música. Não é aquele lance da música digital que nos acompanha todos os dias, que é também essencial, mas é aquela música da correria. Está no aeroporto, está no avião, está no ônibus, está na rua, dentro do carro. Acho que o lance do vinil é esse convite a se conectar com a gente mesmo. As músicas estão lindas e a gente está muito amarradão de poder ter mais um álbum. E a ideia de lançar o álbum também foi porque havia duas músicas que ficaram de fora do projeto, duas músicas muito legais também, que tinham sentido bem maneiro. Então a gente resolveu, em vez de lançar só dois singles, a gente lançou um single que já saiu, que é o “Não Chore”. Saiu há pouco mais de um mês. A galera está ouvindo demais, está curtindo. E para puxar o disco todo, a próxima canção agora, no dia 2 de outubro, é a “Contemplador das Estrelas”. Ela entra já com todo o álbum para a galera dar um play e ouvir até o final.
CP - Então, eu queria te perguntar sobre essa capacidade de conexão, de fazer com que o público se desconecte junto com vocês, que se conecte com uma outra coisa maior, mais espiritual, mais natureza, e se desconectar do digital, do artificial, essa parada muito boa de fazer com que as pessoas possam se desligar e se ligar em vocês?
Zeider - Eu acho que esse é o grande lance do ser humano, é a contemplação mesmo, é essa ligação com a natureza. Claro que cada um tem o seu limite ali, ou o seu nível de conexão, tem gente que escala montanha, tem gente que passa 10 dias caminhando na floresta, cada um tem a sua conexão, mas eu acho que o mais importante é a gente ter essa consciência de que a natureza é algo que nos completa mesmo, é algo que faz parte da gente. Somos seres humanos, terráqueos, acho que tudo que existe na terra de natural, de coisa boa, é um complemento para a nossa vida. A gente vê aí um chá que você toma, que faz bem para tosse, você dá um mergulho no mar que a água é salgada, então ela já cria uma energia diferente, um rolê numa trilha para chegar até a cachoeira, você respirando aquele ar puro, e fazendo aquela conexão verdadeira. Então acho que é isso, a gente, além de falar de Deus, de amor, de positividade, tem esse lance da conexão com a natureza, que é algo fundamental para a gente conseguir estabilizar a nossa energia e fazer as coisas acontecerem com a gente mesmo. Tem muito o lance da gente ter essa noção da natureza eu acho que isso também faz muito bem para a nossa saúde mental. Eu costumo dizer que eu sempre faço um backup nesses momentos, quando eu subo a montanha, ou quando eu estou na praia, enfim, qualquer lugar que é natural, que tenha uma natureza exuberante de preferência, porque aí tem o lance da contemplação também, da gente ver o quanto a gente é pequeno diante do Criador, diante de tudo que foi criado. Então acho que é isso, o lance da gente ter esse encontro com a gente mesmo, a natureza complementa, e cuidar da natureza é uma forma também de a gente cuidar, do mesmo jeito que a gente cuida da nossa casa, o que a gente quer é que seja tudo sempre organizadinho, tudo bonitinho, acho que a gente cuidando, protegendo a natureza, a gente está cuidando da nossa casa e desse templo maravilhoso que é o planeta Terra, que é uma extensão da gente.
CP - Eu preciso te perguntar das parcerias, pessoas que estão junto nesse disco, tanto na parte técnica, mas principalmente na parte artística, com os teus filhos, Laura e Ziedro e o MC Hariel.
Zeider - Isso é importante também, as parcerias do Planta e Raiz sempre foram parcerias muito fortes, de gente muito inspirada, muito do bem. Acho que só engrandecem as canções. É uma maravilha a gente poder estar tanto tempo na estrada, fazendo música e também já influenciando outras gerações. Eu acho que a presença do Hariel é algo que diz muito isso, né? Que ele, apesar de ser um gigante da música e tal, ele é um cara novo, um cara que tem muito ainda pra caminhar. Então, a gente ter um pouquinho da nossa música ali como influência na vida de um cara tão especial e tão sagaz e tão genial como ele. Eu acho que é irado e tem muito a ver com essa conexão com as outras gerações. E assim o Hariel poder mostrar pro público dele também com toda a humildade, com todo o carinho, com todo o respeito, que é mútuo. Eu o admiro muito também. Não só ele, mas nas coisas que ele tem cantado e os projetos que ele tem realizado. Ter ele com a gente mostrando pra essa nova geração, que são os fãs dele, a nossa música, é algo muito generoso e muito da hora. Eu fico muito feliz em poder ter um cara como o Hariel envolvido na nossa história. E meus filhos, né. Pô, é mais uma conexão com as novas gerações. A gente tá criando essa molecada aí dentro da música. Minha filha Laura tá com 20 anos, o Ziedro, meu moleque, tá com 15. A música que a Laura cantou, “Lilás” é uma música que eu acho muito boa. Ela traz realmente uma sensação verdadeira de paz e de conexão. E a música que eu canto com o Ziedro, “Um Milhão de Dias”, é uma música composta por mim e por ele. Então eu acho que o importante é isso, conectar as gerações. Eu acho que a música vai eternizando à medida que ela vai passando, vai passando de geração em geração. Isso aconteceu comigo com o Bob Marley e acontece muito com outros artistas também na minha vida. E é muito da hora a gente ver o que tá acontecendo com a gente e também com o nosso trabalho na vida das pessoas.
CP - Eu queria que tu falasse um pouco não só das tuas influências, mas dessa coisa, desse estigma que parece que de repente o teu nome te levou para um lado musical, este Z de Zeider, porque tu era roqueiro no início e depois passou para o reggae. Queria que tu falasse um pouquinho da tua gênese, mas com essa carga da família, porque tua família e tua base foram essenciais para a construção da tua carreira e da banda?
Zeider - Essa parada do Z aí é coisa do meu pai, o seu Zenas. As coisinhas dele tinham um Z no meio. Foram nascendo os filhos, ele foi transformando os nomes, colocando o Z, e era muito legal, assim, na nossa infância, adolescência, a galera do bairro, todo lugar que a gente ia, alguém sabia dos irmãos Z ali, né, da galera do Z, dos irmãos Z (Zeider, Zeniel e Zenício) na área. Isso é muito maneiro. Muitas vezes as pessoas viam o nome Zeider e diziam, ah mas este cara estudou comigo. O nome do meu filho, Ziedro, eu acabei inventando, porque a Janaína na época queria Pedro, e tinha um monte de Pedro, Pedro pra todo lado. Eu falei, meu, a gente vai chamar Pedro e vão vir dez. A gente tem que dar uma exclusividade aí nessa história. E aí eu criei, inventei esse nome e fui procurar na internet o significado, e aí no site de genealogia, tinha uma ligação entre Ziedro e Zeder, como se fosse o mesmo nome, como se tivesse o mesmo significado. Aí não teve jeito, ficou, justificou a história. Acho que estas loucuras do Z são coisas do meu coroa, amado e saudoso, que faleceu em 2021, seu Zenas, mas que deixou esse legado aí.
CP - Para finalizar, eu queria que tu dissesse por que as pessoas deveriam ouvir este disco “Flor de Fogo”?
Zeider - Esse disco é a continuação da nossa caminhada, e, como eu disse, são 27 anos de estrada, então acho que a gente tá num momento bem legal, a gente já treinou muito, a gente fez muito isso a vida inteira, e assim, esse é um momento que a gente tá fazendo as músicas com muito, porque estão vindo umas músicas muito bonitas, muito maneiras. Eu acho que é isso. Tem um apanhado geral de sentimento, o importante é que é só sentimento bom, a gente fala ali da força da perseverança, da força da fé, da força do amor que existe entre as pessoas, entre casais, a força do amor que a gente constrói com a nossa espiritualidade, com Deus. E fala também dessa conexão com a natureza, que é imprescindível na nossa história. Eu acho que é isso, cara, é uma forma da gente entender o reggae. O povo brasileiro tá começando a entender o reggae, eu vejo o reggae crescendo muito no mundo, e aqui no Brasil não é diferente. Então a gente tem essa parcela de força e de culpa, a culpa boa, de podermos ser estas pessoas que estão colocando esse ritmo, que vestiram a camisa e que encaram isso de uma forma como se fosse a nossa própria vida, a música é como se fosse a nossa própria vida. Então eu acho que é isso, é um pouco dessa experiência de vida, é um pouco do que a gente viveu, do que a gente aprendeu e do que a gente tá querendo fazer pra vida melhorar. Então que seja não só pra nós, né, mas pra todas as pessoas essa influência de ter um caminho melhor pra trilhar.
Capa do Disco Flor de Fogo - Planta e Raiz
SERVIÇO
DISCO “FLOR DE FOGO”💿
Ficha Técnica
Direção Musical | Zeider Pires
Produção Musical | Zeider Pires e Banda Planta e Raiz
Gravado no estúdio El Rocha
Mixagem e Masterização | Fernando Sanches
Produção Executiva | Janaína Pires
FAIXAS
1)Não Chore 😪
2)Contemplador de Estrelas ⭐⭐⭐
3)Câmera Lenta 🦥
4)Partiu 🧳
5)Lilás (part. Laura Pires) 💜
6)Um Milhão de Dias (part. Ziedro Pires) ☀☀SOL
7)Flor de Fogo 🌸🔥
8)Rota do Mar 🏖
9)Viralizar o Amor 💕
10)Passa a Bola (part. MC Hariel) ⚽