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Polícia está sem pistas do ladrão que levou quadro de Portinari

Museu de Olinda não tem alarme ou câmeras de monitoramento, e a segurança é feita por dois vigilantes

Polícia está sem pistas do ladrão que levou quadro de Portinari
Polícia está sem pistas do ladrão que levou quadro de Portinari Foto : Reprodução / CP
Ainda no início das investigações, a polícia pernambucana não tem pistas do ladrão que roubou na quarta-feira, do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda, o quadro Enterro, de autoria de Cândido Portinari (1903-1962). Este foi o segundo furto registrado no museu. O primeiro, há cerca de 25 anos, foi um autorretrato de Visconti, que nunca foi recuperado.

O delegado Manoel Martins, responsável pelas investigações, considera o crime complexo. "O museu não tem nenhum tipo de segurança que possa ajudar as investigações", afirmou. O MAC não tem alarme ou câmeras de monitoramento, e a segurança é feita por dois vigilantes. O delegado disse acreditar que quem levou a obra entrou e saiu pela porta da frente do museu.

Até mesmo a lista de visitantes é falha, segundo Martins, porque as 17 pessoas que foram ao local podem ter dado um nome fictício. "Não há conferência da identidade", informou o delegado, que ouviu todos os funcionários e solicitou perícia técnica no local.

Diante das dificuldades, Martins espera contar com o apoio da população. O furto já foi informado à Polícia Federal e à Interpol, de acordo com nota divulgada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), órgão responsável pelo MAC.

A tela, pintada a óleo sobre madeira, integra a chamada Série Azul do artista paulista. Desde 1966 pertencia ao acervo do MAC, em Olinda. Estava exposta em uma das paredes do primeiro andar do prédio, do século 17, tombado pelo Patrimônio Histórico. Por determinação da polícia, o prédio está fechado e só reabre à visitação na terça-feira, dia 20.

A obra é avaliada entre R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão, o que se aplica aos outros quatro quadros da série, que estavam expostos ao lado de Enterro. Os quadros de Portinari pertenciam a uma coleção doada por Assis Chateaubriand.

Acervo

A diretora do MAC, Célia Labanca, orgulha-se do fato de o museu ser "o segundo da América Latina em qualidade e quantidade de obras". Tem um acervo de cerca de quatro mil obras - 400 delas em exposição. "Só perde para o MASP, de São Paulo", afirma ela.

Célia cita alguns dos artistas que assinam obras do acervo do museu, entre pinturas, esculturas, desenhos e fotografias: Cícero Dias, Djanira, Guignard, Manezinho Araújo, Mario Cravo, Visconti, Eliezer Xavier, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, entre outros.

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