Relações familiares, idade, luto, política, distanciamento e solidão são os temas de “Ponto a Ponto – 4000 Milhas”, peça dirigida por Gustavo Brachilon, a partir do premiado texto de Amy Herzog, finalista do prêmio Pulitzer de 2013. A comédia chega a Porto Alegre, com sessões apenas neste sábado, às 17h30min e 20h30min, no Teatro Bourbon Country (Túlio de Rose, 80). Os ingressos estão disponíveis na plataforma Uhuu (www.uhuu.com).
Luiz Fernando Guimarães dá vida à octogenária com suas dores, vivências e relações. “O personagem é uma delícia de fazer, eu me vejo como ela”, diz o ator de 72 anos, que para construí-lo buscou suas memórias de tias e avós. Esta solitária senhora que já “enterrou” seis maridos é competitiva e um tanto desbocada de vez em quando. No final de sua jornada, vai esquecendo coisas e odeia este fato, começando a esconder suas crises. Fala muito em morte, até por ter uma amiga próxima que faleceu e é obcecada por limpeza.
Um dia ela recebe a visita inesperada do neto Léo, jovem que gosta de se aventurar de bicicleta pelas montanhas, papel do ator Bruno Gissoni. Ele está passando por um trauma e estar ali o ajuda a suportar esse momento difícil. A chegada fortuita do neto faz a idosa perceber que gosta de estar ao lado dele, apesar de ter seu cotidiano totalmente modificado. Também no palco, Renata Ricci como Rebeca e Amanda, mulheres que fazem os dois se reconhecerem em vários aspectos da vida, mesmo tendo pontos de vista divergentes. “Estamos falando de distanciamento, perda de memória, ausência de contato físico”, diz Luis Fernando Verissimo. O afeto criado entre a idosa e seu neto comove o ator, que vive um tipo de catarse. “Na pandemia caímos no esquecimento e falamos muito em morte”, comenta.