O ator porto-alegrense Enzo Krieger está prestes a estrear seu primeiro protagonista na televisão, na série “A Vida de Jó”, da Record, escrita por Cristiane Cardoso, que tem capítulo inicial nesta segunda, 15 de setembro, às 21h. No papel principal da trama, o ator gaúcho mergulhou em um personagem denso e emocionalmente exigente, que promete tocar o público. Jó foi um homem que perdeu tudo, menos sua fé, mesmo diante de muitos sofrimentos. “Descobrir Jó foi uma experiência transformadora. Percebi o quanto ele é humano e o quanto pode nos ensinar”, comenta Enzo. A estreia de “A Vida de Jó”, que será exibida a partir desta segunda-feira na Record, marca o início de um novo capítulo na carreira de Enzo, refletindo sua evolução artística.
Como te preparaste para atuar no papel principal da trama, interpretando um personagem denso e emocionalmente exigente?
A preparação começou muito antes de entrar em cena. Quando soube que interpretaria o jovem Jó, entendi que precisaria de um mergulho profundo — não só na história, mas em mim mesmo. Trabalhei de perto com a Andrea Avancini e a Fernanda Guimarães, que me ajudaram a encontrar um equilíbrio entre a serenidade e a vulnerabilidade do personagem. Fiz exercícios para atingir emoções mais densas e também vivi experiências práticas: aprendi a conduzir ovelhas, o que me trouxe uma reflexão muito simbólica sobre confiança e liderança. Era impossível entrar em cena sem estar completamente entregue, porque Jó carrega um peso emocional enorme, e eu queria honrar cada detalhe disso.
J ó foi um homem que perdeu tudo, menos sua fé, mesmo diante de muitos sofrimentos. Há alguma semelhança entre Enzo Krieger e ele?
Acho que a semelhança mais forte é a forma como nos relacionamos com Deus. Eu também tenho essa conversa constante, esse diálogo íntimo e sincero, muitas vezes para buscar força e entender o que está acontecendo. Assim como Jó, já vivi momentos de incerteza e precisei acreditar que havia um propósito, mesmo sem enxergar o fim do caminho. Essa confiança, essa fé que se mantém mesmo nas tempestades, é algo que nos aproxima bastante.
Interpretar Jó foi uma experiência transformadora? Por quê?
Sem dúvida. Durante as gravações, não era só o personagem que estava em construção, eu também estava. Era minha primeira vez morando sozinho, em um projeto de grande responsabilidade, e isso exigiu uma maturidade nova. Ao viver as provações de Jó, percebi que também estava sendo testado na minha vida pessoal — e encontrei força na fé, assim como ele. Foi transformador porque não foi só um trabalho, foi um processo de crescimento não só como ator, mas também pessoal.
A estreia de “A Vida de Jó” marca o início de um novo capítulo na tua carreira e reflete a evolução artística. Como avalias este momento?
Vejo como um divisor de águas. É a primeira vez que tenho a responsabilidade de começar a contar a história de um protagonista tão marcante, e isso me enche de gratidão e também de responsabilidade. Sinto que tudo o que fiz até aqui me preparou para esse momento, mas também sei que é só o começo de um caminho ainda maior. É um momento de amadurecimento, de colocar em prática tudo o que aprendi e, ao mesmo tempo, continuar me aprimorando todos os dias.
Deixaste São Paulo e foste para o Rio de Janeiro, onde ocorreram as gravações da série. No teu primeiro projeto na emissora, como está sendo a tua experiência na nova "casa"?
Está sendo incrível. Desde o primeiro dia, me senti acolhido pela equipe, pelos diretores e pelos colegas de elenco. O clima nos bastidores é leve, mas ao mesmo tempo muito profissional, e isso faz toda a diferença em um projeto tão intenso. É como chegar em uma nova casa e ser recebido com portas abertas. Isso me deu segurança para me jogar de cabeça no trabalho.
Vais dividir o papel de protagonista com o ator Guilherme Berenguer na minissérie A Vida de Jó. Como foi construída esta dobradinha?
Desde o início, sabíamos que precisávamos criar uma continuidade entre o jovem Jó e o Jó adulto. Eu e o Guilherme conversamos sobre o jeito do personagem, seus gestos, sua postura, até seu olhar. A caracterização também ajudou muito nesse processo, mas o mais importante foi encontrar uma essência que pudesse atravessar o tempo. Foi muito legal trabalhar essa conexão e saber que, mesmo com dois atores diferentes, o público veria um só Jó.
Fala um pouco sobre a tua carreira.
Comecei no teatro e nos musicais, com produções como “Carrossel: O Musical” e “13: O Musical". Depois, veio a TV, onde ganhei meu primeiro grande papel como o Luigi em “As Aventuras de Poliana” e “Poliana Moça", que me acompanhou também no cinema, em “As Aventuras de Poliana o Filme". Além das séries para Netflix que tive a alegria de participar, como Dom em “De Volta aos 15" e Vinicius em “Olhar Indiscreto". Cada projeto trouxe um aprendizado diferente e me preparou para novos desafios. Sempre busquei versatilidade, me arriscando como ator, cantor, dançarino e modelo, porque acredito que a arte pede entregas em várias formas.
Quando o desejo de ter a arte como companheira de vida surgiu?
Desde pequeno eu dizia para minha mãe que queria estar naquilo que via na TV. Aos 7 anos, comecei a estudar teatro e nunca mais parei. Aos 11 anos, passei no meu primeiro trabalho profissional, “Carrossel: O Musical", e ali tive a certeza de que queria viver disso. Foi paixão à primeira experiência e cada novo desafio só confirma essa escolha.
O que aprendeste com Luigi?
Luigi foi um grande professor para mim e aprendi sobre amizade, e como enfrentar desafios. Acompanhar sua jornada enfrentando o bullying, gerou muita identificação do público na época, me mostrando como a profissão pode transmitir muito para fora das telas. Ele me ensinou até sobre cinema, que é uma paixão que compartilhamos. Como fiquei anos interpretando esse personagem, cresci junto com ele — e muitas das ferramentas que uso hoje como ator vieram dessa experiência.
Foi em “13: O Musical” que consolidaste tua habilidade como cantor e dançarino?
Acho que foi um passo importante nesse sentido. Já tinha feito “Carrossel: O Musical", mas 13 foi um nível acima, porque era protagonista. Isso exigiu mais de mim como cantor e dançarino, e me fez sair da zona de conforto. Ainda tenho muito a evoluir, mas cada projeto é uma oportunidade de me aprimorar.
Tua trajetória no SBT abriu portas para novos desafios?
Com certeza. Foram três novelas consecutivas, o que me deu experiência, visibilidade e preparo para encarar papéis mais complexos. Cada projeto foi um degrau que me trouxe até aqui.
Como é integrar o elenco de artistas da Record?
É muito especial. A emissora me recebeu com carinho e profissionalismo, além da notável qualidade e cuidado com as produções. Narrar histórias bíblicas é de uma grande responsabilidade, e lá isso é feito de forma excepcional. É um ambiente que te incentiva a dar o melhor de si, e isso me motiva todos os dias.
É verdade que tens planos de estudar nos Estados Unidos?
Sim, é um sonho que tenho. Quero continuar me preparando e me desafiando, e estudar fora é uma forma de ampliar meus horizontes e abrir portas para uma carreira internacional. Mas tudo no seu tempo.
Fala um pouco da tua relação com Porto Alegre e com o Rio Grande do Sul.
Mesmo morando fora há muito tempo, minha raiz está lá. Porto Alegre é onde tudo começou, onde está parte da minha família. Não consigo visitar com frequência por causa da correria, mas, quando dá, é sempre especial voltar.
Colorado ou gremista?
Gremista! (risos)
Spoiler de futuros projetos?
Não posso contar muito ainda, mas posso dizer que tem coisas muito boas vindo por aí.