O texto de Dimitris Dimiátridis, nunca montado no Brasil, acompanha a ascensão e queda de uma família grega, vivida por nove atores e dois músicos. Um coro apocalíptico acompanha o desenvolvimento da relação entre Nilos e Militsa, desde que se conheceram até 30 anos após o casamento, com seus três filhos, todos envolvidos em espessas relações de afeto incestuoso, na obra que Luciano considera como “densa, poética e chocante ao mesmo tempo”. O patriarca deste núcleo é atormentado em relação a sua sexualidade, dando vazão às suas paixões, com sua esposa, descendentes e um amigo, o que os levará à loucura e ao crime.
A tragédia clássica, que o diretor aprecia e montou em várias ocasiões, é uma das fontes desta peça, com linguagem contemporânea contundente, que remete a vários personagens conhecidos: Édipo, Jocasta e Ifigênia. “Há referências à tragédia shakespeareana, em especial à loucura da famosa Ofélia, em cena magnificamente defendida por Áurea Baptista”, declara ele.
Completam o elenco seus velhos colaboradores, os atores Marcelo Adams, Ida Celina, Mauro Soares, Alexandre Silva, Pingo Alabarse e Gustavo Susin, além dos novos integrantes, Élison Couto e Plínio Marcos. Também sobem ao palco Muni, com sua bela voz, interpretando músicas do cantor paulista Pélico, acompanhada na guitarra e no violão pelo maestro Éverton Rodrigues, que ainda executa no piano composições de Handel e Chopin. “Sobre a direção, asseguro que é o trabalho onde os atores mais tiveram liberdade para criar e propor a concepção de suas cenas, num resultado totalmente vivo, orgânico e surpreendente”, finaliza Alabarse.