Filmado em 23 dias entre Porto Alegre e Viamão, narra a história de um policial obstinado (Rafael Tombini) que, num mundo pós-apocalíptico (cuja época é imprecisa, mas carregada de referências aos anos 70 e 80), persegue um inimigo sobrenatural a bordo de um potente Maverick. Paralelamente, um casal de adolescentes, em meio ao caos, descobre o amor e se une ao policial em sua jornada. Viajando por estradas inóspitas ainda encontram um grupo de improváveis sobreviventes, alojados em uma escola abandonada, e dezenas de 'retornados', mortos-vivos que rondam os poucos humanos residentes da terra devastada.
Com alusões ao spaghetti western e aos filmes de ninja - misturando caubóis, índios e espadas samurais -, a ação transcorre entre diálogos niilistas, cenários desolados, simbologia e ocultismo. O clima nonsense contrasta com a direção de arte cuidadosa e, se não chega a inspirar medo, instiga a pergunta: o que você faria se o mundo acabasse e restassem apenas estranhos, sem nome e sem história, assolados pelo medo e pela necessidade de se defender, só para viver mais um dia? A trilha sonora lisérgica encerra a trama com um melancólico fado e embala as diferentes possibilidades de interpretação do roteiro, que tem altos e baixos no ritmo. Fãs de filmes do gênero poderão perceber referências a clássicos como 'Possuídos', ' Zombie - O Despertar dos Mortos', 'Amanhecer Violento' e 'Mad Max', ainda que os zumbis de 'Porto dos Mortos' assumam uma atitude um tanto blasé.
O longa produzido pela Lockheart Filmes já venceu dois prêmios internacionais e foi selecionado para mais de 30 eventos, entre eles o espanhol e renomado Festival de Cinema Fantástico de Stiges, Festival de Cinema Latino de Chicago e o Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (realizado em Cuba).
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