O cinema brasileiro dá a tônica das estreias nas telonas desta semana. O principal destaque é “Feito Pipa”, do talentoso Allan Deberton, representante do Brasil na disputa por indicação ao Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional. Protagonizado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, o filme acompanha Gugu, menino prestes a completar 12 anos, apaixonado por futebol e criado pela avó Dilma, uma professora aposentada que lhe oferece uma infância marcada pela liberdade, pelo carinho e pela imaginação. Quando a saúde dela se fragiliza, o garoto enfrenta a possibilidade de viver com o pai, um homem de personalidade rígida. Deberton constrói uma narrativa sobre infância, pertencimento e vínculos familiares, sem perder de vista a delicadeza de quem observa o mundo pela perspectiva de uma criança.
A força do elenco é um dos trunfos, especialmente Teca Pereira, com atuação reconhecida em Gramado, de onde o longa saiu com cinco prêmios, incluindo Direção, Atriz, Ator Coadjuvante, para Lázaro Ramos, e Filme pelo Júri Popular. E são ainda 14 premiações pelo mundo, entre elas duas no Festival de Berlim.
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Em outra direção, “Assalto à Brasileira”, de José Eduardo Belmonte, recupera um episódio real que entrou para a história policial do país. O longa revisita o assalto à maior agência bancária de Londrina, em 1987, a partir da experiência de um jornalista envolvido nos acontecimentos. Além de reconstituir um crime, a proposta permite observar como a realidade brasileira, com suas contradições e personagens, continua oferecendo matéria-prima para o cinema. Com atuações de Murilo Benício, Christian Malheiros (premiado em Gramado pela atuação em “Justino”) e Robson Nunes, o filme mescla ação e drama, transformando acontecimento histórico em narrativa cinematográfica.
Já “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, aposta no drama íntimo. Interpretada por Rejane Faria, Vicentina inicia uma jornada de pedidos de desculpas às famílias afetadas pela suposta morte por suicídio de seu filho Wesley no ambiente de trabalho. A busca por compreender o que aconteceu também se transforma em um percurso de autoconhecimento e cura. Gabriel Martins, que tem demonstrado especial sensibilidade para retratar personagens e relações humanas, encontra aqui terreno fértil para abordar luto, culpa e responsabilidade. O filme levou, no Festival de CInema do Rio de Janeiro, prêmios de Longa de Ficção (Voto Popular); Melhor Filme pelo Júri Popular; Direção de Ficção; e Roteiro. Foi ainda exibido e aplaudido no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF); e também no Festival de San Sebastián 2026.
E, para quem prefere trocar a tensão pela gargalhada, “Os Farofeiros 3”, de Roberto Santucci, retoma a turma que transformou confusões de viagem em combustível para a comédia popular. Desta vez, Rocha decide bancar o casamento da filha em uma ilha paradisíaca e convida Alexandre, Lima e Diguinho, acompanhados de suas famílias, para uma celebração com tudo pago. Com Cacau Protásio, Maurício Manfrini e Danielle Winits, a promessa é de novos desencontros, exageros e situações absurdas.