Arte & Agenda

Prêmio Grande Otelo será entregue hoje no Rio de Janeiro

Longa “Ainda Estou Aqui” lidera indicações e celebra vigor do cinema brasileiro contemporâneo

Longa de Walter Salles, com Selton Mello e Fernanda Torres, lidera indicações com 16 possibilidades de prêmios
Longa de Walter Salles, com Selton Mello e Fernanda Torres, lidera indicações com 16 possibilidades de prêmios Foto : Alile Dara Onawale / Sony Pictures / Divulgação / CP

Em um ano de grande efervescência para o audiovisual nacional, o Prêmio Grande Otelo 2025, uma das mais importantes honrarias do cinema brasileiro, volta aos holofotes com uma edição histórica. A 24ª cerimônia acontece nesta quarta, 30 de julho, às 20h50min, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, e traz como destaque absoluto o filme "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, que lidera com impressionantes 16 indicações. O longa, que já havia consagrado o Brasil no cenário internacional ao vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional, agora caminha como favorito ao maior prêmio da indústria nacional. Ao todo, 29 produções foram selecionadas pelo júri da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais para disputar o Grande Otelo — prêmio que, mais do que um troféu, tornou-se símbolo de excelência, resistência e criatividade dentro de um mercado que enfrenta desafios, mas também mostra sinais de renovação e potência artística.

"Ainda Estou Aqui", com sua narrativa intimista e abordagem sensível sobre identidade, pertencimento e memórias, não só confirmou a maestria de Walter Salles como reafirmou o papel vital do cinema brasileiro no diálogo global. A presença do filme nas principais categorias, Melhor Longa-Metragem Ficção, Direção, Roteiro, Fotografia, Montagem e Atuação, evidencia a relevância de uma obra que transcende fronteiras culturais e estabelece novos parâmetros estéticos para a produção nacional. A lista de indicados deste ano mostra uma diversidade temática e de estilos que consolida o Prêmio Grande Otelo como um verdadeiro termômetro da produção audiovisual contemporânea. Na categoria Melhor Longa-Metragem Ficção, ao lado de Ainda Estou Aqui, destacam-se "Baby", de Marcelo Caetano; "Kasa Branca", que aparece também entre os melhores filmes de comédia; o intimista "Malu" e o provocador "Motel Destino", dirigido por Karim Aïnouz. Na categoria Melhor Direção, nomes consagrados e novas vozes se encontram. Walter Salles disputa ao lado de Karim Aïnouz ("Motel Destino"), Marcelo Caetano ("Baby"), Érico Rassi ("Oeste Outra Vez") e Andrucha Waddington ("Vitória"), numa seleção que demonstra a amplitude criativa dos diretores brasileiros — do cinema de autor à experimentação de linguagem.

GÊNEROS

O segmento de comédia também ganha espaço relevante nesta edição, com destaque para "Câncer com Ascendente em Virgem" e "Estômago 2: O Poderoso Chef", que mantêm a tradição do humor inteligente e crítico no cinema nacional. O aguardado "O Auto da Compadecida 2" traz o peso da nostalgia e promete fortes chances na categoria. O documentário, uma das formas mais pulsantes do cinema brasileiro, também brilha na premiação. Entre os indicados, nomes como "Fernanda Young – Foge-me ao Controle" e "Luiz Melodia – No Coração do Brasil" reafirmam o valor da biografia como espelho de trajetórias complexas e inspiradoras. Já "3 Obás de Xangô" e "Assexybilidade" apresentam narrativas que desafiam paradigmas sociais, políticos e estéticos. No campo da animação e do cinema infantil, categorias que têm ganhado corpo e relevância nos últimos anos, os indicados mostram a força de novas tecnologias e a aposta em narrativas sensíveis e educativas. "Abá e Sua Banda", "Teca e Tuti: Uma Noite na Biblioteca" e "Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa" revelam a capacidade de encantar diferentes públicos sem abrir mão de identidade cultural.

Além da produção nacional, o Prêmio também amplia sua visão com a categoria Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano, reforçando o intercâmbio com cinematografias irmãs. Produções como "Matem o Jóquei!" (Argentina), "Grande Tour" (Portugal) e "La Infiltrada" (Espanha) ampliam a conexão entre o Brasil e os outros polos criativos da América Latina e Europa, em um momento de valorização do cinema de língua portuguesa e espanhola.

Ao longo de 24 edições, o Prêmio Grande Otelo consolidou-se não apenas como uma celebração dos melhores do ano, mas como um espaço de reafirmação da arte como instrumento político, social e poético. Em um país em constante mutação, onde a cultura resiste com coragem, o cinema brasileiro segue vivo, pulsante e inventivo, e o Grande Otelo é a vitrine mais brilhante dessa força.

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