Arte & Agenda

Prefeitura: cobrança para realizar Feira do Livro segue rito normal

Executivo explica que valor divulgado não é definitivo e documento não deveria ter sido emitido

Feira do Livro do ano passado reuniu cerca de 1,4 milhão de pessoas
Feira do Livro do ano passado reuniu cerca de 1,4 milhão de pessoas Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
Após a repercussão na imprensa de uma inédita cobrança de cedência da Praça da Alfândega para a realização da próxima edição da Feira do Livro, a Prefeitura de Porto Alegre emitiu uma nota oficial, na qual afirma que o procedimento segue o rito normal estabelecido com a criação do Escritório de Eventos, no ano passado. Diz também que o valor divulgado – R$ 179,849,60 – ainda não é definitivo.

Conforme o esclarecimento da Prefeitura, houve uma divulgação precipitada do valor e o documento divulgado não deveria ter sido emitido. “As taxas e contrapartidas são definidas somente no Termo de Colaboração e Compromisso (TCC) que ainda não existe”, salienta a nota, citando que outros eventos, como Acampamento Farroupilha, blocos de rua e a Bienal do Mercosul, também se adequam à legislação.

CRL manifesta surpresa

A Câmara Riograndense do Livro (CRL), que organiza a Feira do Livro de Porto Alegre, manifestou surpresa com a cobrança. O presidente da CRL, Isatir Antonio Bottin Filho, afirmou que irá tentar uma audiência com o prefeito Nelson Marchezan Júnior para tratar do assunto.

A Feira do Livro é realizada anualmente desde 1955 e está programada para ocorrer entre os dias 1º a 18 de novembro. No ano passado, o evento atraiu cerca de 1,4 milhão de pessoas ao longo de 19 dias.

• Nota de esclarecimento

A Prefeitura de Porto Alegre esclarece que, a partir da criação do Escritório de Eventos, em agosto de 2017, este passou a ser o local para onde devem ser encaminhados todos os pedidos de utilização de espaços públicos do Município.

Uma vez recebido o pedido, ele será analisado por todas as secretarias envolvidas com seus respectivos pareceres e com as devidas considerações para a assinatura do termo de compromisso definitivo.

O Escritório foi criado para que todos os eventos tenham uma análise mais transparente e ampla, evitando ilegalidades, insegurança, pessoalidades, transtornos no trânsito, apontamentos e processos judiciais para gestores públicos e privados envolvidos nos eventos e nas suas análises.

No caso da solicitação da Câmara Riograndense do Livro de utilização de 67 dias da Praça da Alfândega, no Centro Histórico, o processo seguiu o rito normal, sendo distribuído para todas as secretarias envolvidas. A precificação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams) apresentada à imprensa é parte do processo. Ela não é uma taxa definitiva, pois está seguindo o trâmite interno que será finalizado somente após análise e parecer de todos os órgão envolvidos.

A cobrança por utilização de espaços públicos decorre do Decreto Municipal 17.986/2012, amparado por parecer técnico da Procuradoria-Geral do Município (PGM), após apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e recomendações do Ministério Público (MP) sobre cedências em anos anteriores, sem a cobrança de valores e de contrapartidas. Eventos como Acampamento Farroupilha, Carnaval de Blocos e Bienal do Mercosul também se adequam à legislação. Reiteramos que as taxas e contrapartidas são definidas somente no Termo de Colaboração e Compromisso (TCC) que ainda não existe.

A divulgação precipitada desta etapa parcial do processo não condiz com a transparência e respeito ao interesse público que a gestão municipal tem estabelecido com todos os organizadores de eventos.

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