A premiada escritora portuguesa Lídia Jorge participou de palestra no Instituto de Letras da UFRGS, acompanhada do africano Helder Macedo, nesta sexta-feira. Ela defendeu seu trabalho autoanalisado como romântico e o papel dos escritores sobre o entendimento da sociedade. Premiada com o Albatroz ou o Internacional de Literatura da Gunter Grass pelo conjunto de sua obra, entre outras honrarias, é autora de “O Vento Assobiando nas Gruas” (2002), “Combateremos a Sombra” (2007) e o ensaio “Contrato Sentimental” (2009), entre outros.
Ao analisar sua obra, a autora deixa claro que não consegue separar sua vida de sua literatura. “Eu vou redigindo o mundo. Meu conjunto de livros marca uma passagem. As figuras invisíveis que fazem a sociedade. Sem elogios, público ou palmas, sustentam o mundo criando laços de fraternidade entre todos”.
Crítica de seu país, Lídia entende que Portugal ainda vivencia um imaginário no qual, de colonizador, o país recebe seus colonizados como visitantes e toda diversidade quanto as ideias deus, finitude ou eternidade. “A literatura já adiantou esta questão. Se antes meus personagens estavam em confronto com o mundo, na disparidade entre o sonhar e agir, agora discutem como o mundo se organiza e mata o sonho. Há um homem que é bom, mas não quer ser bom, porque se o for, não será esperto”. A sombra, para a autora, sempre será combatida, mas não a causa. Com a imagem de que “escritores são sonhadores de grandes amores, grandes casas e humanidade fraterna”, ela lembra Saramago, que enfrentou os dogmas católicos.
Já o africano Helder Macedo resume: “Escritor é disciplinador de almas. Tem que sacudir as pessoas, construir uma invenção que signifique”.
Premiada escritora portuguesa fala sobre literatura na UFRGS
Lídia Jorge é crítica de seu país