A série “My Mister” chega somente agora ao catálogo da Netflix, depois de quase dois anos de sua exibição na Coreia do Sul. Classificada como “dorama” ou “k-drama”, a atração já está com os seus 16 capítulos disponíveis, sendo perfeita para maratonar no feriado.
“My Mister” ou “My Ahjussi” (Meu Senhor) traz como protagonista o ator Lee Sun Gyun, que ficou conhecido do público por sua atuação como pai de uma família rica no premiado filme “Parasita”. Ao seu lado, a atriz, cantora e compositora IU (Lee Ji-an). Será a oportunidade para conferir a atuação desta jovem artista que contabiliza milhões de fãs na Coreia do Sul e pelo mundo. Entre os prêmios conquistados pela serie estão Baeksang Arts Award de Melhor Drama TV e APAN Star Awards, de Melhor Atriz.
O drama de 2018 não teve continuação, como a grande maioria dos “doramas”. “My Mister” é dirigido por Kim Won Suk (Signal) e roteirizado por Park Hae Young (Another Oh Hae Young), ambos também disponíveis na Netflix. Sem revelar muito, a narrativa é sobre o engenheiro Park Dong Hoon com problemas no trabalho e no casamento. E com dois irmãos que chegaram ao fundo do poço e dependem dele. A jovem Ji Han (IU) já passou por muitas dificuldades e tem uma montanha de dívidas acumuladas para pagar. Ela aceita qualquer trabalho que aparece em sua frente.
O que esperar da série
Primeiro, pode-se esperar muito drama. Este sucesso sul-coreano traz personagens que estão em crise. Todos se sentem miseráveis, fracassados e não conseguem vislumbrar uma perspectiva de vida. O engenheiro Park Dong Hoon e seus irmãos enfrentam problemas de relacionamento e financeiros e humilhações. Mas estão juntos. As cenas quando eles se reúnem passam pelo humor, fraternidade e desespero. Como um deles diz em algum momento: “família é do que você quer se livrar quando ninguém está vendo”.
Ji Han já passou por muita situações complicadas em sua vida. Foge de dívidas feitas por familiares e não mede esforços para sobreviver e ajudar sua avó. Aos poucos é mostrado seu passado. Não há santos por aqui, mas seu personagem é uma sobrevivente do pior do mundo.
Como qualquer série, as tramas e os personagens secundários podem não chamar tanta a atenção, mas dão sustentação ao enredo central.
A Coreia do Sul figura entre as 15 maiores economias do mundo, mas “My Mister” deixou os ricos de lado e o destaque são trabalhadores que tentam se virar dentro de uma economia capitalista. São mostradas as moradias da classe média e as favelas, onde uma família divide um cômodo, muitas vezes sem banheiro. O lado nada glamouroso de Seul é apresentado, com bairros depredados e vielas sujas.
A série mostra a disputa de alguns empregados para subir na empresa de engenharia e construção, mesmo que para isso seja preciso, sabotar e prejudicar os concorrentes. Fora do trabalho convencional, é destacada a sobrevivência para quem já passou dos 50 anos.
A figura do agiota está presente em muitas séries coreanas. Uma coisa é certa: se alguém se envolve com agiotas, enquanto não pagar a dívida não tem descanso. Eles vão atrás dos devedores e de seus familiares por gerações, até a quitação ser feita.
A trilha sonora conta com dois hits “There’s a rainbow“, de Vincent Blue, e “Adult", da Sondia, ambos disponíveis em plataformas musicais.
Para conhecer um pouco da cultura coreana
A culinária sempre aparece nas séries. E nesta basta prestar atenção que serão mencionados e mostrados alguns pratos, como kimpab e tteokbokki. A bebida que nunca falta é o famoso e tradicional Soju, destilado de arroz.
É sabido que o coreano mantém o hábito de tirar o sapato na entrada da casa ou apartamento. Na série, aparece que o costume é levado também ao trabalho, onde os funcionários trocam o sapato por chinelos (sandálias).
Outro hábito é sair do trabalho é ir com os colegas a um bar. Beber e reclamar dos colegas. Ou ainda ter de acompanhar o chefe e aceitar as suas críticas na frente de todos. Estes encontros podem acontecer em barracas, chamadas de pojangmacha. Outra opção é o noraebang, local (bar) dividido em salas com sofás e um aparelho de karaokê. As paredes têm isolamento acústico e o grupo de amigos faz a reserva e passa a noite na sala, bebendo e comendo.
A série também é uma oportunidade para ver como são os rituais de casamentos e funerais dos coreanos.
O templo budista também é referência constante nos k-dramas. E neste, além do templo, a trajetória de um monge faz parte da trama secundária.