Arte & Agenda

Primeira exposição de Tarik Kiswanson inaugura na Fundação Iberê

“Tarik Kiswanson - Fora do Tempo”, primeira mostra individual do artista franco-palestino no país, abre neste sábado, às 14h

A visitação da mostra ocorre até 1º de março de 2026, de quinta a domingo, das 14h às 18h, na Fundação Iberê
A visitação da mostra ocorre até 1º de março de 2026, de quinta a domingo, das 14h às 18h, na Fundação Iberê Foto : Elvira Fortuna / Divulgação / CP

A Fundação Iberê apresenta primeira exposição individual do franco-palestino Tarik Kiswanson no Brasil, a partir deste sábado, 14h, na sede do museu localizada na avenida Padre Cacique, 2000. Vencedor do Prêmio Marcel Duchamp de 2023 – um dos prêmios mais prestigiados da arte contemporânea – o artista explora a intersecção entre memória, perda e transformação, refletindo sua história pessoal e, ao mesmo tempo, dialogando com a incerteza mais ampla de um mundo em transição. “Tarik Kiswanson - Fora do Tempo”, que será inaugurada neste dia 30 de agosto, integra a programação dos 200 anos da relação bilateral França-Brasil, que acontece em 15 cidades do país.

A Fundação Iberê é a única instituição no RS a integrar a programação oficial do evento, com a exposição de Kiswanson. Com curadoria de Jean-Marc Prévost, a mostra reúne um conjunto de obras em escultura, desenho e vídeo, destacando uma prática multidisciplinar fundamentada em noções de transformação e memória.

Kiswanson nasceu em 1986, em uma pequena cidade da Suécia, filho de pais palestinos que foram exilados de Jerusalém, primeiro para Trípoli e Amã, antes de se estabelecerem em Halmstad. Após uma década em Londres, onde estudou arte, mudou-se para Paris, onde vive e trabalha desde 2010. Ele tem quatro nacionalidades e fala e escreve em cinco idiomas.

Há mais de uma década, o artista explora noções de desenraizamento, metamorfose e memória por meio de uma prática interdisciplinar – escultura, desenho, cinema, som, intervenções espaciais e poesia. Um legado de deslocamento e transformação permeia suas obras e é indispensável tanto para sua forma quanto para os modos de percepção que produzem. Embora mantenha vínculo com o íntimo e o pessoal, o trabalho aborda preocupações universais e histórias sociais e coletivas de ruptura, perda e regeneração. A obra pode ser entendida como cosmologia de famílias conceituais interligadas, cada uma explorando variações de temas como refração, multiplicação, desintegração, levitação e polifonia a partir de uma linguagem própria. "Sou um imigrante de segunda geração e minha prática é inevitavelmente moldada por noções de deslocamento e transformação", afirma.

Nas 20 obras apresentadas na Fundação, Kiswanson transita entre o figurativo e o abstrato em sua exploração do corpo, da história e da memória. A leveza de sua produção contrasta com o peso das histórias presentes nos objetos que utiliza. Os primeiros trabalhos são um processamento pessoal da sua própria história familiar. Esse envolvimento é evidente nas esculturas “Recall” (2020-2025). As peças retangulares, apoiadas diretamente no chão e que lembram lápides translúcidas e borradas, falam tanto de lembrança quanto de perda. Pela sua presença etérea, quase assombrosa, elas convidam a ser contemplada não apenas a narrativa pessoal de Kiswanson, mas também experiências coletivas mais amplas dentro de histórias diaspóricas. Ao esbater as fronteiras entre o pessoal e o comunitário, essas esculturas evocam um senso de história compartilhada e de identidade coletiva.

A exposição se inicia com o vídeo “The Fall” (2020), uma obra contemplativa que mostra um garoto caindo lentamente para trás em uma sala de aula vazia. Em um estado de levitação entre o equilíbrio e o colapso, esse momento suspenso – ao mesmo tempo íntimo e desconcertante – reflete uma noção recorrente na obra de Kiswanson: a da criança no limiar da adolescência. Nos desenhos intitulados “The Window” (2020-2025), o espectador se depara com uma pequena figura infantil emergindo de um fundo nebuloso, com o braço e a palma da mão estendidos em um gesto que pode significar distanciamento ou busca. Emocional e distante, íntimo e minimalista, o artista permite que o público mergulhe em seu universo.

Nas esculturas levitantes intituladas “Nest” (2020-2023) e “Cradle” (2020-2024), formas imaculadamente brancas, semelhantes a casulos, sugerem o surgimento iminente da vida — um nascimento ou renascimento, evocando os grandes ciclos da natureza, mas que também podem ser vistas como locais de refúgio e abrigo. Os desenhos do artista aparecem ao longo da mostra. Alguns retratam crianças pairando no limiar da visibilidade, enquanto outros surgem como formas ovais borradas, lembrando nuvens ou núcleos de energia.

Visitação até 1º de março de 2026, de quinta a domingo, das 14h às 18h (última entrada). Mais detalhes no @fundacaoibere.

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