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Primeiro longa brasileiro em competição exibido no Festival de Gramado trata de feminicídio

Filme "Angela", baseado na vida da socialite brasileira Angela Diniz, conta com a atriz Isis Valverde

Isis Valverde (ao Centro), entre os diretores, na apresentação do filme 'Angela' no Festival de Cinema de Gramado
Isis Valverde (ao Centro), entre os diretores, na apresentação do filme 'Angela' no Festival de Cinema de Gramado Foto : Ticiane da Silva / Pressphoto / Divulgação

O primeiro longa-brasileiro em competição a ser exibido no sábado à noite no Palácio dos Festivais foi "Angela", baseado na vida da socialite brasileira Angela Diniz, interpretada por Isis Valverde.  A equipe passou pelo tapete vermelho e apresentou o filme no 51º Festival de Cinema de Gramado.

Mineira que pede o desquite nos anos 1970, Angela Diniz vai morar no Rio de Janeiro, onde conhece a alta sociedade através de um famoso colunista social, com quem teve um caso. Com o tempo ela e Raul (Gabriel Braga Nunes), um empresário casado (inspirado em Doca Street), se apaixonam e resolvem viver juntos em uma praia do litoral do Rio de Janeiro. Com o tempo, brigas se tornam cada vez mais violentas e terminam em feminicídio, em uma década em que essa palavra ainda não existia.

O diretor Hugo Prata (de "Elis") explica que o foco do roteiro foi em Angela, no relacionamento do casal, em uma revisita ao fato histórico que ficou nas manchetes da imprensa do período após a morte de Angela. Foi intencional não entrar na questão do tribunal e enfatizar a versão do advogado de defesa de Doca, apresentada no primeiro julgamento e que ficou publicamente conhecida, a de "defesa da honra", argumentação jurídica que não é mais aceita. 

Hugo Prata explica: "quem conheceu a Angela, dizia que ela brilhava na pista de dança, mas era pessoa triste. Para conseguir o desquite, ela cedeu a guarda dos filhos ao primeiro marido, para ser livre. Mas ficar longe das crianças a deixava melancólica".

"Fazer este papel ambíguo foi um desafio, me levou a outro patamar. Angela era uma mulher rica e mimada, às vezes chata. Quem conviveu com ela disse que ela era apaixonante, mas tinha um sorriso triste", disse Isis Valverde. O filme apresenta cenas de sexo "não orquestradas, mas um rock'n'roll", comparou Hugo Prata, para representar a paixão entre altos e baixos do casal. Isis dá um arrancada que pode lhe render um Kikito, mas ainda é preciso conferir as concorrentes durante a semana.

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