Estudos da Agência Nacional de Cinema, (Ancine) apontam que o mercado audiovisual brasileiro segue crescendo. E o olhar, sobre os filmes brasileiros, evoluindo. Aquela pergunta reveladora, ouvida nas entradas de salas de cinema em alguns tempos “é filme bom ou é brasileiro”, é anacrônica. Os tempos são outros. E os filmes também. Só para ficar no exemplo da capital do Rio Grande do Sul, estão em cartaz várias produções brasileiras neste final de semana: “Elis”; “Coragem”; “Arminda Lopes”; “Menino 23”; “O Amor de Catarina”; “Br 176”; “Pequeno Segredo”; “Marias”; “Cinema Novo”; “Aquarius”; além da Mostra Novíssimo Cinema Brasileiro.
Prova destas mudanças também está na capacidade de produção nacional. Em 2014, atividades econômicas do setor audiovisual foram responsáveis por geração de valor de R$ 24,5 bilhões na economia. Em 2007, foram R$ 8,7 bilhões.
Dois estudos publicados pela Ancine apontam a manutenção do crescimento do mercado audiovisual brasileiro e sinalizam caminhos para a ampliação da atividade. O primeiro deles apresenta a atualização anual de seu Estudo sobre Valor Adicionado pelo Setor Brasileiro e o segundo apresenta uma análise inédita sobre comércio exterior de serviços audiovisuais no Brasil.
Os dois são reveladores. Neles percebe-se a força do setor audiovisual brasileiro, responsável por injetar R$ 24,5 bilhões na economia em 2014 e por movimentar 1,74 bilhões de dólares entre importações e exportações de serviços audiovisuais em 2015.
A expressividade dos números ganha mais força quando consideramos o cenário de crise econômica do pais. A informação de que o Brasil importou 1,1 bilhão em licenciamento de direitos de conteúdos audiovisuais (contra a exportação de apenas 81 milhões de dólares) confirma necessidade de investir mais em filmes e séries brasileiras para ocupar o mercado interno e aumentar vendas para o exterior. E o próprio diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel concorda com isso.
Em se tratando de qualidade narrativa, estética, ousadia e rigor cinematográfico também há de se ter uma atitude muito mais positiva ante esta produção brasileira. Dos elogiados filmes dos últimos anos, a relação vai de obras como os trabalhos de Anna Muylaert e Kleber Mendonça até a produção de Hugo Prata ao recriar a vida de Elis Regina, com a soberba atuação de Andréia Horta.
Claro que, se ampliamos o olhar, e observamos o setor audiovisual brasileiro como um todo, a situação se torna mais interessante. O Estudo sobre Valor Adicionado pelo Setor Audiovisual Brasileiro, que faz a consolidação dos dados macroeconômicos do setor, com os recém-divulgados pelo IBGE, confirma a tendência de crescimento do setor nos últimos anos.
A partir dos dados coletados pelo IBGE, por meio de pesquisas setoriais (Pesquisa Anual de Serviços-PAS e Pesquisa Anual de Comércio-PAC) e do Sistema de Contas Nacionais, em 2014, as atividades econômicas do setor audiovisual foram diretamente responsáveis por uma geração de renda de R$ 24,5 bilhões na economia. Em 2007, este valor era de apenas R$ 8,7 bilhões correntes. E o número de salas de cinema, apesar das outras formas de consumir audiovisual, também cresceu. Em agosto de 2016, o Brasil passou a contar com 3.126 salas de cinema quando em 2002 eram apenas 1.635 salas em todo o país.
A contribuição do audiovisual no valor adicionado pelo setor de serviços se manteve num patamar de 2,91%, o que é uma participação bastante significativa do setor. O estudo considerou como integrantes do setor audiovisual 11 atividades econômicas catalogadas segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE. Basta ler os números para entender que a Indústria Criativa, em seu braço audiovisual é boa fonte de riqueza. E cultura.
Produções brasileiras ocupam cada vez mais as telas do país
Números apontam crescimento de obras nacionais no universo audiovisual