Arte & Agenda

Programação brinda os 35 anos da Tribo

Ói Nóis Aqui Traveiz tem história de resistência e engajamento, marcada pela crítica, denúncia e ousadia

Este domingo é mais que especial para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, quando são celebrados os 35 anos do grupo, com uma história de resistência e engajamento, marcada pela crítica, denúncia e ousadia. Paulo Flores e Tânia Farias estão à frente da trupe que construiu sua identidade e estética próprias, baseadas no princípio do teatro como função social, na pesquisa dramatúrgica, no estudo da história, tanto do Brasil como universal, sempre destacando o trabalho autoral do ator e colocando o espectador junto à cena, no que chama de 'teatro de vivência'.

Sediada provisoriamente no bairro São Geraldo, há cinco anos conquistou um terreno na Cidade Baixa, para a Terreira da Tribo, sua sede definitiva. Para comemorar esta trajetória, promove uma intensa agenda, ao longo do ano, com atividades gratuitas. São peças, lançamento de livro e documentário; além de uma viagem a Portugal.

"O Amargo Santo da Purificação" abre a programação, neste domingo, às 16h, na Redenção (imediações do Monumento do Expedicionário). A peça conta, de forma alegórica, a vida do guerrilheiro, que lutou contra as ditaduras do Estado Novo e Regime Militar, num painel dos principais acontecimentos de nosso país no século XX. O elenco faz uso de máscaras, na narrativa com estética glauberiana, cujo ponto de partida são os poemas de Marighella, numa abordagem das aspirações de liberdade de nosso povo. A montagem será apresentada na próxima quarta-feira, ao meio-dia, no Largo Glênio Peres e em maio representará o teatro nacional em Lisboa e Coimbra.

No momento em que a sociedade cobra do governo federal a investigação sobre os desaparecidos nos anos de chumbo, cobrann do o paradeiro das vítimas, identificação dos restos mortais e punição dos responsáveis, 'Onde? Ação n 2' provoca a reflexão, de forma poética, sobre nosso passado recente. Com 17 atores, a performance sobre as feridas abertas pela ditadura estará na Esquina Democrática (Andradas com Borges de Medeiros) na próxima segunda-feira, 1 de abril, ao meio-dia.

Na Terreira de Tribo (Santos Dumont, 1186), 20h, terão vez dois exercícios cênicos da Oficina de Formação de Atores da Escola de Teatro Popular. De 4 a 7 de abril, 'Fragmentos de Beckett é dividida em três peças curtas do dramaturgo, sobre a solidão e a incomunicabilidade do homem moderno, sem esperança num mundo ilógico e lúgubre e vazio. 'Catástrofe' é dedicada ao escritor tcheco Vaclav Havel, feito prisioneiro em 1979; 'Fragmentos de Teatro I' traz dois inválidos, um cego e um paralítico, cuja convivência é inviável; e a peça interrompida 'Fragmento de Teatro II'. De 9 a 12 de abril, 'Minha Cabeça Era uma Marreta', de Richard Foreman, foca o jogo entre quem detém o saber e os que o desejam, na relação entre um professor e dois alunos.

Em setembro será a estreia do novo trabalho do Ói Nós, 'Medeia', que parte do mito grego e tem como referência o romance homônimo de Christa Wolf, em que a personagem é vítima dos valores masculinos e que nesta versão pacifista não é bruxa, nem assassina. Tem ainda o livro "Ói Nóis Aqui Traveiz - 35 Anos de Ruptura", do selo Ói Nóis na Memória e o documentário "Raízes do Teatro", da Artéria Filmes, dirigido por Pedro Isaías Lucas.

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