Dois anos após denunciar que cemitérios haviam se tornado abrigo para quem não tem onde morar e refúgio para usuários de drogas e prostitutas, neste domingo, o Câmera Record volta a esses locais, onde reencontrará rostos conhecidos. Apresentado por Marcus Hummel, o programa da Record TV será veiculado a partir das 23h45min.
Dayane é uma das que vivem entre os mortos e não tem a tranquilidade de antes. Em maio de 2018, ela dormia num buraco dentro do cemitério São Luiz, na Zona Sul de São Paulo, onde ergueu um barraco. “Quando as coisas ficam difíceis aqui dentro, eu pulo para fora, quando está difícil lá fora, eu pulo para dentro", explica a usuária de crack, referindo-se à polícia ou criminosos. André segue bebendo e usando drogas, no cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte da capital. "Eu fumo e bebo até o corpo não aguentar mais, às vezes eu fico quatro, cinco dias sem dormir, só consumindo crack. Viro um zumbi", assume. Ele também montou um barraco na vizinhança, deixando para trás mulher e filhos, de 9 e 11 anos. Agora ele está disposto a abandonar o vício e se tratar. Os repórteres registraram a internação dele, desde a chegada do transporte da clínica até os primeiros passos para se livrar das drogas.
Josiane é uma nova frequentadora do Vila Cachoeirinha, o segundo maior cemitério de São Paulo, que passa os dias usando drogas e se prostituindo, entre covas e túmulos. À medida em que conta sua história aparecem feridas abertas da infância em Alagoas, que incluem abuso sexual. Tem ainda Hoélica, que morava no cemitério Vila Nova Cachoeirinha, que abandonou o vício em drogas e restabeleceu os laços familiares. No podcast, o doutor em psiquiatria e Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, Quirino Cordeiro, explica quais os tratamentos para dependentes químicos disponíveis no SUS.