A organizadora destaca que a atividade estimula a colaboração de pessoas de diversos lugares e até de outros países, além de difundir a criatividade no ambiente urbano. “Queremos trazer a arte para o povo, para a rua. Mais de 90% dos brasileiros nunca entraram em um museu, então nós estamos tentando trazer a arte para a população.” Realizada por várias mãos, a obra propõe o fazer plural e se completa com o olhar dos transeuntes.
Foram quatro meses de preparação até o dia da instalação dos mosaicos, no fim de agosto. Silvia criou um evento em uma rede social, chamado Ocupação pelo Mosaico, convidando os interessados a participarem do mutirão para confecção das imagens e/ou enviarem suas criações por correspondência. “Pedimos para as pessoas mandarem peças dos lugares onde elas moram. As contribuições chegaram pelo Correio. Há trabalhos da Argentina, do Chile, da Espanha e de todo o Brasil.”
As paulistas Isaira Baptista Kuhn e Ana Paula Roge vieram a Porto Alegre especialmente para dar esse toque de beleza à Casa do Estudante. “Aprendo técnicas, descubro materiais novos, conheço a cultura local. É uma experiência plena e há uma integração total de todos participantes”, comenta Isaira. O ritmo das relações acompanha o avanço da empreitada. Pela manhã, uns nem sabem os nomes dos outros. Ao fim do dia, amizades estão cimentadas como os mosaicos grudados nas paredes.
Fundada em 1934, a Ceuaca é a mais antiga casa de estudantes do município. Em outra época, consolidava-se como ponto de encontro dos movimentos estudantis. Agora tornou-se silenciosa. O projeto Mosaico Intervenção Urbana quer reavivar as memórias. Revitalizar. “O mosaico é um pretexto para nós fazermos algumas ações sociais”, considera Claudia Coelho, uma das especialistas em mosaicos que dedicou o domingo à missão de colorir para mobilizar.
Beatriz dos Anjos, outra participante, registra com sua câmera fotográfica o pro
Decorrido um tempo depois do evento, o mural coletivo não sofreu pichações ou outro ato de vandalismo. Moradores que passam por ali observam com semblantes surpresos. Nem todos, aliás. Há aqueles que caminham apressados, olhando apenas para dentro de si ou para seus aparelhos celulares. Mas, para quem ainda não foi atingido pelo automatismo, sempre existe uma pausa para contemplar. É a arte inserida no cotidiano, para celebrar o que nos resta de sensibilidade. E esperança.