Arte & Agenda

Psicanalistas lançam ensaios sobre crise ética brasileira

Abrão Slavutzky e Edson Sousa lançam hoje "Imaginar o Amanhã - Ensaios e Crônicas" na Feira do Livro de Porto Alegre 


O livro reúne dezenas de ensaios e crônicas, rápidas ou alentadas, sobre a situação brasileira da pandemia e da pós-pandemia.
O livro reúne dezenas de ensaios e crônicas, rápidas ou alentadas, sobre a situação brasileira da pandemia e da pós-pandemia. Foto : Arquivo pessoal

Ainda falta muito?” Todos nós já fizemos essa pergunta. Na infância, obrigados a suportar provações de toda espécie e, ao longo da vida, quando percorremos longos caminhos e estradas desconhecidas, e o cansaço e a impaciência nos abatem. Nos quase dois anos da pandemia da Covid-19, essa pergunta, ou pelo menos o sentimento de angústia que ela contém, se fez presente em cada um de nós. Para grande parte dos brasileiros, a passagem dilacerante do tempo teve como agravante o estarrecimento diante da indiferença do presidente do país à tragédia vivida pela população, cuja expressão mais dolorida são os mais de 600 mil mortos contabilizados até agora.

"Imaginar o amanhã – ensaios e crônicas", (Diadorim Editora) escrito pelos psicanalistas Abrão Slavutzky e Edson Sousa, é um mergulho na crise moral e ética em que o Brasil está metido desde meados de 2019 e tem sessão de autógrafos na Feira do Livro, às 19h de hoje. O livro reúne dezenas de ensaios e crônicas, rápidas ou alentadas, sobre a situação brasileira da pandemia e da pós-pandemia. Sem pretender ser um oráculo, propõe uma exercício de reflexão sobre o futuro possível. "Imaginar é um ato de coragem, que nos coloca em movimento, instaura espaços de revolta e de esperança e abre mundos até então desconhecidos. Imaginar o amanhã é trazer o passado para o presente, unindo experiências para pensar o futuro”, sintetizam os autores.

Privadas da rotina e relacionamentos cotidianos, as pessoas tiveram nas redes sociais sua principal companhia no mundo pandêmico, marcado pelo isolamento, pelo medo, pelo luto e pela esperança, imprescindível para nos mantermos lúcidos ou, pelo menos, humanos. Que nada mais é do que uma parte do eterno labirinto que enreda nossa existência, de acordo com Edson Sousa. “Não se trata de um livro cabisbaixo, pelo contrário. É uma obra de cabeça erguida e olhos atentos, que retoma temas esquecidos, desconfortáveis e assevera, no catastrófico, a catástrofe; não foge dela, não a escamoteia, não a estiliza e nem a metaforiza”, diz Paulo Endo na apresentação.

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