Henrique Rodovalho fez um estudo dos movimentos do universo, das forças da gravidade, atração e repulsão para criar a coreografia, executada por oito bailarinos, que não representam personagens, e sim pessoas envolvidas em várias buscas. Eles se movem num clima onírico, dentro de um território indefinido, que justifica a ausência de cenário. “Fizemos tentativas, mas nada correspondia, o “nada” era o melhor espaço. Ficam só as paredes do teatro”, afirma Henrique. O título remete ao “paraíso”, um lugar perfeito subentendido, a ser discutido, diz.
A sofisticação que caracteriza o grupo, aqui ganha inovações. O trabalho de fragmentar o corpo por partes, como se fossem independentes, que criam caminhos para o próprio corpo e espaços que estão se movimentando, geralmente são bem definidos. “Aqui o impulso vale mais que a racionalidade, as partes se perdem um pouco, não estão muito definidas. O movimento é mais desarticulado e intuitivo”, detalha o fundador da Quasar, junto com Vera Bicalho. E a constatação de que “a imperfeição e defeitos também fazem parte da vida, tem como tirar proveito disto, até em termos de conhecimento”, digna de quem alcançou a maturidade. Com uma montagem por ano, a companhia, patrocinada pela Petrobras possui uma sede, em Goiás, onde atuam 17 funcionários e nove bailarinos, tendo a mais antiga, dez anos de casa. Lá tentaram por duas vezes montar uma escola, mas devido às viagens constantes, o plano foi adiado.