Arte & Agenda

"Quero ser um embaixador do leitor", diz Luís Augusto Fischer

Novo patrono da Feira do Livro foi aplaudido pelos alunos de oficina literária

Luís Augusto Fischer foi eleito novo patrono da Feira do Livro
Luís Augusto Fischer foi eleito novo patrono da Feira do Livro Foto : Paulo Nunes
No que depender do patrono Luís Augusto Fischer anunciado pela Câmara Rio-Grandense do Livro, a 59ª Feira do Livro de Porto Alegre, de 1º a 17 de novembro, será em defesa do leitor, para atender a suas demandas, lutar por maior variedades de livros. “Quero ser uma espécie de embaixador do leitor”, afirma Fischer, de 55 anos, escritor, ensaísta e professor de Literatura.

Após o anúncio de que seria o patrono não esqueceu de uma de suas missões primeiras: a docência. Instado a uma série de entrevistas aos jornalistas, respondeu: “tenho aula daqui a pouco”. O Correio do Povo acompanhou a aula na oficina literária “A Memória da Escrita”, no StudioClio. Quando chegou ao local, foi aplaudido pelos alunos, recebeu cumprimentos e respondeu a perguntas. Depois da oficina, conversou com o Correio do Povo

Correio do Povo - Você assina em jornais há algum tempo uma coluna chamada Pesqueiro. A figura do pescador em que momento se coaduna com a do patrono?
Luís Augusto Fischer - A origem do nome Pesqueiro vem do meu sobrenome Fischer (pescador em alemão) e também de uma brincadeira do meu amigo Luiz Sergio "Jacaré" Metz, que morreu em 1996. Ele morava na Travessa Pesqueiro, na Cidade Baixa, e brincava que eu era Fischer e ele morava na Pesqueiro. Sobre a imagem é interessante. Acredito que como leitor eu seja um pescador, procurando o melhor peixe. Como patrono, tentarei pescar os leitores e livros

CP - Em algumas horas, já deu para sentir a dimensão do patronato?
Fischer - Deu para ver em relação a minha família. Eu liguei para a minha mãe para avisar que estava tudo bem e ela estava eufórica e disse que um tio ligou, que tinha ouvido a notícia na Rádio Guaíba. A Feira do Livro é outra dimensão e o patrono é o profeta da aldeia. Espero estar à altura do cargo e da missão.

CP - E a emoção decorrente do anúncio?
Fischer - É estranho, esquisito. Meu maior reconhecimento até agora tinha sido em 1999, quando publiquei o Dicionário de Porto- Alegrês. Naquela época, eu era parado em todos os lugares. A Feira te dá uma visibilidade absurda. Dou aula há 34 anos, escrevi um monte de livros e o mérito acaba vindo de outras formas. Reconheço que é envaidecedor. Sou normalmente reservado, mas acostumado a lidar com o público. Não sei se não vou chorar ao falar em público.

CP - Você é conhecido por recuperar obras e autores que ficam à margem ou são esquecidos pela história. Vai trabalhar por eles durante a Feira?
Fischer - Está sendo lançada uma nova edição do ‘Assim na Terra’, do saudoso amigo Luiz Sérgio ‘Jacaré’ Metz, para o qual fiz o posfácio. Acho que vou andar com ele debaixo do braço para divulgá-lo.

CP - Quais as obras que estás lendo atualmente?
Fischer - Terminei de ler “Reprodução”, de Bernardo Carvalho, para uma resenha que estou fazendo para a Folha de São Paulo. Além destes, estou lendo “Barreira”, de Amilcar Bettega Barbosa e “Último Minuto”, de Marcelo Backes. Todos os livros são da Companhia das Letras.


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