Após o anúncio de que seria o patrono não esqueceu de uma de suas missões primeiras: a docência. Instado a uma série de entrevistas aos jornalistas, respondeu: “tenho aula daqui a pouco”. O Correio do Povo acompanhou a aula na oficina literária “A Memória da Escrita”, no StudioClio. Quando chegou ao local, foi aplaudido pelos alunos, recebeu cumprimentos e respondeu a perguntas. Depois da oficina, conversou com o Correio do Povo
Correio do Povo - Você assina em jornais há algum tempo uma coluna chamada Pesqueiro. A figura do pescador em que momento se coaduna com a do patrono?
Luís Augusto Fischer - A origem do nome Pesqueiro vem do meu sobrenome Fischer (pescador em alemão) e também de uma brincadeira do meu amigo Luiz Sergio "Jacaré" Metz, que morreu em 1996. Ele morava na Travessa Pesqueiro, na Cidade Baixa, e brincava que eu era Fischer e ele morava na Pesqueiro. Sobre a imagem é interessante. Acredito que como leitor eu seja um pescador, procurando o melhor peixe. Como patrono, tentarei pescar os leitores e livros
CP - Em algumas horas, já deu para sentir a dimensão do patronato?
Fischer - Deu para ver em relação a minha família. Eu liguei para a minha mãe para avisar que estava tudo bem e ela estava eufórica e disse que um tio ligou, que tinha ouvido a notícia na Rádio Guaíba. A Feira do Livro é outra dimensão e o patrono é o profeta da aldeia. Espero estar à altura do cargo e da missão.
CP - E a emoção decorrente do anúncio?
Fischer - É estranho, esquisito. Meu maior reconhecimento até agora tinha sido em 1999, quando publiquei o Dicionário de Porto- Alegrês. Naquela época, eu era parado em todos os lugares. A Feira te dá uma visibilidade absurda. Dou aula há 34 anos, escrevi um monte de livros e o mérito acaba vindo de outras formas. Reconheço que é envaidecedor. Sou normalmente reservado, mas acostumado a lidar com o público. Não sei se não vou chorar ao falar em público.
CP - Você é conhecido por recuperar obras e autores que ficam à margem ou são esquecidos pela história. Vai trabalhar por eles durante a Feira?
Fischer - Está sendo lançada uma nova edição do ‘Assim na Terra’, do saudoso amigo Luiz Sérgio ‘Jacaré’ Metz, para o qual fiz o posfácio. Acho que vou andar com ele debaixo do braço para divulgá-lo.
CP - Quais as obras que estás lendo atualmente?
Fischer - Terminei de ler “Reprodução”, de Bernardo Carvalho, para uma resenha que estou fazendo para a Folha de São Paulo. Além destes, estou lendo “Barreira”, de Amilcar Bettega Barbosa e “Último Minuto”, de Marcelo Backes. Todos os livros são da Companhia das Letras.