"Vladimir Putin assinou um decreto concedendo a cidadania russa para o francês Gerard Depardieu", disse o Kremlin em um comunicado, descrevendo a decisão aparentemente sem precedentes. O decreto citou um artigo da Constituição de 1993 que estende aos presidentes o direito de conceder cidadania ou asilo político.
Mas o anúncio mais pareceu um golpe de Putin contra o Ocidente - ansioso para mostrar uma abordagem mais favorável às empresas no que se refere aos impostos - do que um esforço real para atrair uma das maiores celebridades do mundo para Moscou. Depardieu afirmou no domingo que a decisão do Conselho Constitucional francês de anular o imposto de 75% aos contribuintes mais ricos não muda em nada sua decisão de sair do país.
O governo francês anunciou a intenção de seguir adiante com o aumento da pressão fiscal sobre as pessoas que recebem mais de um milhão de euros (1,3 milhão) por ano, com a adoção de novas medidas para que o projeto se adapte à Constituição. No fim do ano, o presidente Putin afirmou que estava disposto a conceder um passaporte a Gerard Depardieu, de 64 anos, para resolver a questão.
Seus comentários inicialmente geraram gozações de repórteres, mas o chefe de Estado russo rapidamente deixou claro que estava falando sério. "Se Gerard realmente quer ter um visto de residência na Rússia ou um passaporte russo, podemos considerar este problema resolvido de forma positiva", disse Putin na época.
O líder russo se referiu a Depardieu tanto quanto um empresário de sucesso como um amigo que ama seu país e que, por isso, é pouco provável que deixe a França para sempre. No entanto, Putin também acrescentou que a declaração do primeiro-ministro francês sobre o fato de Depardieu ser "patético" por ameaçar deixar o país feriu os sentimentos do ator e podem, eventualmente, levá-lo a se mudar. "É fácil ofender um artista", comentou Putin.
Depardieu havia mencionado a possibilidade de se mudar para a Bélgica - que possui um imposto de 50% sobre os milionários - e comprou uma casa nova perto da fronteira francesa com o propósito específico de evitar a taxa mais elevada.