Arte & Agenda

Racismo, violência e feminismo na agenda cênica

“Sob o Céu de Paris”, “O Filho do Presidente” e “Palavras de Mulheres” são espetáculos em cartaz


Aurora Eyer em cena de “Palavras de Mulheres”
Aurora Eyer em cena de “Palavras de Mulheres” Foto : Maísa Capobiango

O Itaú Cultural abre o Palco Virtual de março com trabalhos de teatro e dança, desta quinta a domingo, tematizando as identidades negra e indígena. Destacando a dramaturgia brasileira em trabalhos que estão sendo construídos, as sessões ocorrem às 20h, pela plataforma Zoom, com ingressos grátis, pelo site www.itaucultural.org.br. 

Hoje, “Sob o Céu de Paris”, de Gabriela Rabelo, traz um casal ex-quatrocentão e já idoso casal, que mora em um apartamento, de um prédio hoje decadente próximo ao Minhocão, em São Paulo. O filho único, com o qual diverge em inúmeros assuntos, é pai de Cecília, filha de um amor de juventude com uma mulher negra, morta no parto. Criando a neta, eles aprenderam um pouco sobre o alcance do preconceito racial, mas ao se depararem com um cadáver humano no meio de um feriado prolongado, têm de enfrentar problemas mal resolvidos. Recorrem, então a calendários e anotações de fatos importantes ocorridos tempos atrás, como antigas lembranças de Paris, que sobrevoam os personagens como um paraíso perdido.

Em “O Filho do Presidente, a Cia. Teatro do Caminho (RJ) fala da fuga de um homem após cometer um crime, convidando o público a interferir no desfecho. Sob a direção de Natasha Corbelino, Ricardo Cabral assina o texto e dá vida ao protagonista, que pega o metrô errado, mata dois policiais e rouba um livro. Com apresentações gratuitas de quintas a terças, 20h, até o dia 16 de março, o acesso se dará ao vivo, pelo Zoom.

Às 21h, “Palavras de Mulheres” é fruto de processo criativo que reuniu remotamente as atrizes cariocas Aurora Eyer, Jessica Madonna, Jullie, Maria Adélia e Maria Lucas, capitaneadas pela diretora Nina da Costa Reis e a dramaturga Carolina Lavigne. Inspirando-se em figuras femininas mitológicas, como Medeia, Lilith, Medusa e Ismênia, e adaptando suas histórias para os dias atuais por meio de olhares e vivências das cinco artistas, na montagem o espectador tenta descobrir os sentimentos  em cena. Os ingressos terão metade do valor revertido para a plataforma Ainá Mulher, que conecta mulheres à oportunidade de sair de relações abusivas. Em cartaz até dia 19, pelo Zoom, tem leituras de jovens autoras previstas no IGTV do espetáculo, com as atrizes Cissa Guimarães e Aretha Sadick, a juíza Andréa Pachá e a ativista política, artista e poeta Andréa Bak.


 

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