Um projeto em que diversos artistas cantam sobre o amor, unindo rap e violão, tem conquistado cada vez mais espaço no cenário musical brasileiro. Esse é o “Poesia Acústica”, idealizado pela gravadora Pineapple Storm. Quem não gosta pode até criticar, mas deve concordar que a série de vídeos se tornou um sucesso e cresce a cada novo lançamento. No dia 22 de junho, chegou à sua 11ª edição, depois de acumular mais de 2 bilhões de visualizações no YouTube e 1 bilhão de plays nas plataformas de música. O “Poesia Acústica 11: Nada Mudou” é formado pelos artistas L7nnon, Xamã, Mc Poze do Rodo, Lourena, Azyy, Chris MC, Cynthia Luz e Ryan SP. Menos de 24 horas após a estreia, o clipe havia alcançado 6 milhões de views no YouTube. Duas semanas depois, já são mais de 25 milhões.
Paulo Alvarez é o CEO da Pineapple Storm, gravadora que surgiu da junção de sua marca de roupas com o estúdio Brainstorm, de Lucas Malak. Juntos, eles desenvolveram outros projetos que também tiveram alcance significativo, como o “Poetas no Topo”. A ideia de criar algo que dialogasse com outros gêneros além do rap deu origem ao “Poesia Acústica”, lançado em 2017. Ao longo das edições, ritmos como samba, reggae, funk e até mesmo MPB, são inseridos nas músicas. Segundo Alvarez, a principal marca do “Poesia” não é o formato acústico, mas essa mistura de gêneros. “Tem um instrumental que remete à memórias musicais e até para quem não gosta de rap é um som mais melódico”, diz. E são letras de romance que acompanham a melodia. De acordo com o empresário, todos os artistas convidados têm liberdade para compor sobre qualquer assunto, mas o amor é um tema predominante. Na edição 11, por exemplo, que vai do funk paulista ao pop em suas sonoridades e referências, a cantora Lourena cita versos de “Várias Queixas”, sucesso regravado pelo trio Gilsons, para falar de um amor não correspondido.
Assista ao clipe de “Poesia Acústica 11: Nada Mudou”
Cada edição é preparada em torno de seis meses. Em um grupo no WhatsApp, os cantores trocam ideias e interações. O projeto já recebeu artistas como Negra Li, Projota e Ludmilla. E outro nome que Alvarez sonha em ver no Poesia é o rapper Mano Brown. Para escolher o time de cada música, o CEO explica que o desejo do público é levado em conta. Nomes que já se tornaram a cara do projeto, participam com mais frequência. Também são convidados cantores que estão surgindo no momento e representantes do funk. Outro critério de seleção, que se tornou fixo a partir do “Poesia 11”, é que ao menos três mulheres devem participar das próximas músicas. A decisão veio por uma cobrança interna e “consciência pesada” pela falta de representatividade feminina. “O rap ainda é um meio machista e dominado por homens, tanto nos artistas, quanto nos produtores. Então, a gente tenta instituir essas regras para tentar quebrar um pouco isso. Queremos mostrar uma presença maior das mulheres nos projetos”, afirma. Ele conta que metade do público do “Poesia” é feminino. “A gente faz questão de que se sintam representadas também”, diz.
Tem quem não goste do “Poesia”, alguns até afirmam que não faz parte do gênero de rap, mas a rejeição nunca desmotivou o fundador do projeto. “Tudo que tem 1 milhão de likes vai ter 10 mil deslikes. É inevitável. Mas, nunca pensei em desistir”, explica. Além de tornar o gênero ainda mais popular, o “Poesia” impulsiona a carreira de novos talentos. “É uma grande vitrine para os artistas. Tem cantores que estão em ascensão no cenário do rap, mas não conseguiram alcançar o público fora da nossa bolha e o “Poesia” chega levando o som para o Brasil inteiro”, explica. Ele cita o exemplo de Xamã e Orochi, que tiveram grandes viradas na carreira.
Alvarez acredita que o fenômeno de rap acústico já passou, mas o “Poesia” se consolidou como sucesso independente. “Se estabeleceu no subconsciente popular de muitas pessoas. Não vejo o rap acústico em alta, eu vejo o ‘Poesia Acústica’ como um projeto extremamente grande e com alcance absurdo, zero carregado por qualquer onda de rap acústico”, afirma. No auge do seu sucesso, o “Poesia Acústica” já deixa evidente seu maior legado: a contribuição para a carreira de novos talentos artísticos, que ganharam visibilidade e alcançaram um público muito além da bolha do rap.
*Sob supervisão do editor Marcos Santuario