"Filha do Sol" é o primeiro álbum da artista pelotense B.art, com lançamento previsto nesta segunda-feira, dia 12. O nome faz alusão a Ra, Deus do Sol, força vital e se faz presente no disco de diversas formas: como luz e calor, o sol como um lugar a ser alcançado e o sol como uma bola laranja no espaço que aquece o planeta rumo ao fim da humanidade. Com referências que vão de Solange, à Erykah Badu passando pelo Afropunk, transita por diversas sonoridades. Tudo bem costurado com beats e rimas em um álbum de 10 faixas produzido à distância por Diabelsmusic, de São Paulo. Nas participações, Nina Fola, zilladxg, Tay Oluá, Ébano e Marfim e o trapper Dalua colaborando com alguns adlibs.
As faixas abordam diversas temáticas, como a espacialidade, por ser uma mulher africana na diáspora, buscando se territorializar no sul do pais, em um estado majoritariamente branco. Passa pelo epistemicídio, a busca por poder e dinheiro, caindo em outros questionamentos acerca do mercado, do sistema e da globalização imposta pelo ocidente e seus efeitos. As marcas da colonização. Tentativas de fuga que ainda a mantém presa dentro do mesmo sistema que luta contra. Mesmo com dinheiro e poder, uma pessoa preta ainda é uma pessoa preta. “Uma pessoa preta sempre terá o mesmo poder que o seu povo”. E nessa busca por poder, outras questões são ignoradas, como as ambientais e a luta pela terra, por exemplo. Ter dinheiro e viver em um planeta que está pedindo ajuda e contribuir com a exploração, porque não existe riqueza sem haver exploração. O álbum visual busca contar essa história através de elementos estéticos que dão sentido à narrativa, com roteiro e direção da artista.
“Da descolonização à busca por poder até a percepção de que poder em um mundo que pede socorro, não basta. Tá tudo errado. Descobrimos quem somos, recobramos nosso espaço, pedimos o que é nosso de volta. Lutamos por direitos, por igualdade, mas quanto tempo isso vai levar? E quando conseguirmos, o que ainda restará? A ação do ocidente causou alterações profundas no modo de vida, não só para o povo preto e pra sociedade, mas para o planeta Terra. A história não é mais a mesma, o mundo não é mais o mesmo os “reis e rainhas” de hoje, estão vivendo outro contexto.”
Sobre a artista
B.art nasceu em Pelotas, sul do Sul do Brasil em 1992. Filha do compositor carioca Odibar, autor de músicas como “Quero Voltar pra Bahia” e “Pingos de Amor” junto de Paulo Diniz. Cresceu em contato com a música e com a poesia, onde encontrou refúgio para sua veia artística. Em 2016 começou a trabalhar com produção cultural, no intuito de fomentar uma cena musical protagonizada por mulheres na sua cidade, possibilitando que esse espaço servisse também pra que pudesse exercitar seu fazer artístico. Com dois coletivos culturais em Pelotas, o DasMina e o Stay Black, B.art passou a discotecar nos eventos que produzia. Em 2017, após um período em São Paulo, iniciou o movimento Slam em sua cidade e logo mais tarde lançou seu primeiro single, “Minas no Alto”, com produção de DJ Dola e