Em "No", a inspiração cinematográfica da trama mostra o antes, o durante e o imediatamente depois do plebiscito que ocorreu no Chile, em 1988. Foi o momento em que os chilenos foram chamados a decidir sobre a permanência ou não dos militares no poder. García Bernal é o protagonista principal sob a ótica de quem se apresentam os contextos e as campanhas publicitárias que foram feitas à época. Dirigido pelo realizador Pablo Larraín (o mesmo de "Tony Manero" e "A Fuga"), o filme trata de reconstruir fatos da época em que, quando, pressionado pela comunidade internacional, o general Augusto Pinochet convoca o referendo, certo de sua vitória.
Com uma elogiável reconstrução daquele universo social, político e psicológico, o filme de Larraín traz lições de publicidade e propaganda política, aplicadas pelo personagem de Bernal (o jovem publicitário René Saavedra), e seus oponentes na campanha. Enquanto divide as preocupações profissionais com uma conflituosa relação com a mãe de seu filho, Saavedra se vê diante do momento histórico. Criativo, o publicitário impõe um toque de humor juvenil e festivo na campanha que acaba revelando-se instigante no contexto. Aplaudido no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2012 (Tiff), o filme de Larraín conquistou, recentemente, o Coral de Melhor Longa-metragem de Ficção no Festival de Havana, em Cuba.