A entrevista concedida por Angelina Jolie à Vanity Fair, na qual ela relata um método pouco ortodoxo para escolher o elenco para o filme "First They Killed My Father", ganhou mais um capítulo após a diretora do longa rebater a publicação. No início da semana, a atriz e cineasta disse que suas palavras foram mal intepretadas pela repórter e negou que a maneira de casting foi um "jogo psicológico". Nesta sexta-feira, a revista deu a tréplica, contando que os advogados de Jolie entraram com um pedido para que o trecho em questão fosse removido das versões impressa e para a internet. A publicação também informou que a solicitação foi negada.
Segundo a Vanity Fair, os assessores jurídicos ainda exigiram que uma declaração de desculpas fosse publicada como uma errata na edição de outubro, o que foi igualmente recusado. Entretanto, a publicação divulgou em seu site a mensagem que os advogados queriam que fosse divulgada. "Os diretores de elenco mostraram a câmera para as crianças e o material de gravação de som, explicando a eles que eles deveriam atuar para tentar conseguir o papel. As crianças não foram enganadas, como alguns sugeriram. Todas as crianças testadas estavam cientes do aspecto ficcional do exercício e foram supervisionadas o tempo inteiro por parentes ou tutores de organizações não-governamentais. Nós nos desculpamos por qualquer mal-entendido", lê-se no comunicado.
Em resposta à situação, o periódico informou que revisou a gravação da entrevista com o intuito de ver se houve algum erro de interpretação da repórter responsável pelo conteúdo, Evgenia Peretz, e divulgou a trascrição da mesma, a qual pode ser lida abaixo:
"Angelina Jolie: Foi muito difícil encontrar a pequena Loung. E assim chegaram ao que chamam de escolas da favela. Não acho que seja um bom nome, mas é uma escola para crianças em áreas muito pobres. As crianças não sabiam. Nós simplesmente chegamos... Você chega e faz as audições com as crianças. E não é exatamente uma audição quando é com crianças. Nós criamos um jogo. Eu não estava lá e eles não sabiam exatamente o que estávamos fazendo. Eles (os diretores de elenco) disseram que trariam uma câmera e que brincariam com as crianças. O jogo para a personagem seria colocar dinheiro em uma mesa, pedir para as crianças pensarem em algo para o qual elas precisariam do dinheiro. Às vezes era dinheiro, às vezes era um biscoito. E então, pediram para elas pegarem e aí, eles capturariam as crianças. 'Nós vamos pegar vocês no flagra e vocês vão ter que dizer que não pegaram o dinheiro, vão ter que mentir'. Então foi muito interessante ver essas crianças e o que elas fariam... Algumas tinham muita consciência da câmera. Existem muitas crianças talentosas naquele país. Mas Srey Moch foi a única que olhou para o dinheiro durante muito, muito tempo antes de pegar, e então, brava e corajosamente mentiu, tentando esconder, mas ela também...
Evgenia Peretz: Espera. Esta é a garota, Loung.
Angelina Jolie: Sim. Então, quando ela foi forçada a devolver o dinheiro, ela ficou muito emocionada, foi inundada pela emoção, todos esses sentimentos voltaram de uma só vez. E acho que nem ela ou a família dela vão se importar se eu disser que quando pediram para ela dizer para que serviria o dinheiro, ela disse que era porque o avô morreu e sua família não tinha direito para fazer um bom funeral."
"First They Killed My Father" é uma produção original da Netflix dirigida por Angelina Jolie e que imerge no Camboja da segunda metade da década de 1970, durante o governo ditatorial do Khmer Vermelho. O longa é baseado no livro homônimo da ativista de direitos humanos Loung Ung e acompanha o relato de sobrevivência da escritora ao regime, que governou o país asiático entre 1975 e 1979. Um dos sete filhos de um alto funcionário do governo, ela viveu uma vida privilegiada na capital cambojana de Phnom Penh até os cinco anos. Em abril de 1975, o exército de Pol Pot entrou na cidade, forçando a família a fugir e, eventualmente, a se dispersar
Revista nega pedido de Angelina Jolie para excluir trecho de entrevista
Advogados exigiram que Vanity Fair removesse parágrafo em que atriz relata método usado para escolher elenco de filme