Esse é o primeiro roteiro que o autor, um dos grandes nomes da literatura contemporânea norte-americana, escreveu diretamente para o cinema. Alguns de seus livros já foram levados às telas, como "Todos os Belos Cavalos" (1992), que inspirou o filme "Espírito Selvagem" (2000) dirigido por Billy Bob Thornton, "Onde os Velhos não Têm Vez" (2005), transformado pelos irmãos Joel e Ethan Coen em "Onde os Fracos Não Têm Vez" (2007), e "A Estrada" (2006), que rendeu o homônimo filme de ficção científica assinado por John Hillcoat em 2009.
"McCarthy tem o dom de descrever como a vida pode ser impiedosa para alguns, sem se desculpar pelo uso da violência, quando ela explode na nossa cara." Em cartaz nos cinemas brasileiros, "O Conselheiro do Crime" mostra o que acontece quando um advogado seduzido pelo sonho de riqueza instantânea (Michael Fassbender) se envolve com o cartel de drogas no Texas, sem ter a menor ideia das consequências de seu ato. Dois homens infiltrados no mundo do narcotráfico - um dono de boate vivido por Javier Bardem e o caubói interpretado por Brad Pitt -, tentam alertá-lo dos riscos nas operações do gênero. Mas a sua prepotência o impede de desistir, principalmente depois que o advogado desembolsa uma fortuna num diamante para a noiva (Penélope Cruz). Cameron Diaz completa o elenco principal, no papel da traiçoeira namorada de Bardem.
A perspicácia, o humor negro e os diálogos ágeis, qualidades recorrentes na obra de McCarthy, criam aqui um mosaico perturbador do submundo do tráfico. "Por mais extravagantes que pareçam os assassinatos do filme, eles são fiéis à situação no Novo México", afirmou Scott, lembrando que na região são registradas, por ano, 3 mil mortes ligadas ao cartel de drogas. "Por McCarthy ter conhecimento total do universo que retrata, nós quase sentimos a respiração e o cheiro dos personagens descritos tão vividamente."
Ao abraçar o roteiro de McCarthy, autor premiado com o National Book Award, o National Book Critics Circle Award e o Pulitzer de 2007, o cineasta preferiu não questionar a obra. "Pela força bruta do material, deixei McCarthy ser o meu mestre. Segui o roteiro como se eu fosse um músico executando uma partitura", disse Scott, que pegou o primeiro avião para Albuquerque (Novo México), onde McCarthy reside, assim que leu o roteiro de "O Conselheiro do Crime". "McCarthy é um homem brilhante, que só usa calça jeans e botas de caubói." Assim que as filmagens foram iniciadas, Scott pensou que receberia a visita do roteirista no set uma ou duas vezes. "Não imaginava que ele interferiria constantemente durante todo o processo", contou o diretor, rindo. Mas Scott não se incomodou com a participação ativa do escritor. "Quando ele tinha uma opinião sobre uma cena, um diálogo ou um personagem, eu sempre o ouvia."
Batalhas
Scott já começou a rodar o seu próximo longa, a adaptação do livro "Êxodo", da Bíblia, que promete ser o título mais ambicioso de sua carreira. "Serão 15 semanas de filmagem nas quais precisarei colocar tudo o que aprendi até hoje nas massivas cenas de batalhas." Com a experiência adquirida ao longo de 35 anos atrás das câmeras, Scott sabe exatamente o que quer no set. "Não sei se estou necessariamente melhorando como diretor. Mas tenho uma visão mais clara do que preciso fazer e consigo farejar os problemas de longe, eliminando-os." Com mais de 20 longas na bagagem, ele não consegue parar de filmar, sempre engatando um projeto em outro. "O tubarão que se atreve a parar de nadar morre afogado", brincou.