Arte & Agenda

Rio abre maratona de desfiles na Marquês do Sapucaí

Sete escolas do Grupo Especial se apresentaram durante a madrugada

Destaque de Renascer
Destaque de Renascer Foto : Vanderlei Almeida / AFP / CP
Principal palco dos desfiles de Carnaval do Brasil, o Rio de Janeiro abriu nesse domingo a maratona da folia na Marquês do Sapucaí, reformada instantes antes da primeira escola entrar na avenida. Sete das 13 agremiações do Grupo Especial desfilaram durante a madrugada.

Dificuldades marcam desfile da Renascer: 
Com problemas em carros alegóricos, a estreante Renascer abriu o primeiro dia de desfile do Grupo Especial. A escola de Jacarepaguá enfrentou contratempo logo nos primeiros minutos, quando teve dificuldades para manobrar o carro abre-alas Transcendência da Criação, de 60 metros de comprimento. No último carro, que trouxe o artista plástico Romero Britto, tema do enredo da escola, os integrantes da Renascer precisaram içar dois bonecos já com o carro dentro da Marques de Sapucaí. Com esses entraves, a escola precisou correr no final do desfile para cumprir o tempo estipulado pela Liga das Escolas de Samba. Por apenas um minuto não ultrapassou o limite de 1h20 minutos para o desfile. 

Com Bahia, Portela empolga Sapucaí:  Conforme o prometido, a Portela conquistou a Sapucaí cantando a Bahia. O enredo é recorrente no carnaval carioca, e a escola não ousou: carros e alas foram calcados no sincretismo religioso e nos pontos turísticos de Salvador. Ainda assim, com samba forte, figuras carismáticas - os portelenses históricos Paulinho da Viola e Marisa Monte foram trunfos, já no abre-alas - e ideias simples - como a emocionante comissão de frente simbolizando orixás, sendo o ator Milton Gonçalves um babalorixá -, a Portela fez um desfile bonito de se ver e ouvir.

Imperatriz homenageia Jorge Amado: A Bahia aparece mais uma vez na avenida em homenagem da Imperatriz Leopoldinense a Jorge Amado. Com enredo sobre o escritor, a Imperatriz Leopoldinense deve levar histórias famosas como "Capitães de Areia" e "Gabriela, Cravo e Canela" para a Marquês de Sapucaí. Dois carros alegóricos da escola tiveram problemas de posicionamento na fila de espera de entrada na Sapucaí.

Mocidade conta história de Portinari: A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a quarta escola a desfilar na primeira noite de apresentações das escolas do Grupo Especial do Rio, com uma homenagem a Cândido Portinari. A comissão de frente da escola foi um esboço da obra do pintor. A ala "Guerra e Paz", do último setor, apresentou coreografia. Foram 41 alas e 8 alegorias.

Porto da Pedra tenta, mas não empolga:  A Porto da Pedra tentou, mas não conseguiu tirar leite de pedra. O enredo patrocinado sobre iogurte não empolgou e a escola de São Gonçalo foi recebida com frieza pelo público da Sapucaí. A estranheza da plateia começou já com a comissão de frente. Quinze bailarinos e acrobatas vestidos de branco pulavam em camas elásticas instaladas em uma alegoria - representavam os lactobacilos. Ao saltitar, reproduziam a transformação do leite em iogurte. Nem o efeito de luzes sincronizadas das fantasias com a alegoria salvou a apresentação.

Beija-Flor homenageia Joãosinho Trinta: A Beija-Flor foi a sexta escola a entrar na passarela carioca do samba nesta primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio. A escola, 12 vezes campeã do carnaval do Rio de Janeiro, contou os 400 anos da cidade de São Luís. Para o público, porém, o grande homenageado do desfile foi Joãosinho Trinta, carnavalesco nascido em São Luís que trabalhou por 17 anos na Beija-Flor e morreu em 17 de dezembro passado. Vinte e três anos atrás, sob o comando de Joãosinho no enredo "Ratos e Urubus, larguem minha fantasia", a escola foi obrigada pela Justiça a cobrir uma réplica do Cristo Redentor, numa alegoria que ficou famosa pela faixa "mesmo proibido, rogai por nós". A última das sete alegorias da Beija-Flor reproduzia o monumento coberto. No início do desfile, a escola finalmente descobriu a imagem e, em vez do Cristo, foi João que apareceu de braços abertos, para delírio da plateia.

Angola é tema da Vila Isabel: Uma comissão de frente hipnotizante e um samba-enredo animado foram as principais armas usadas pela Vila Isabel para a difícil tarefa de encerrar a primeira noite de desfiles do Rio depois da apresentação impactante da Beija-Flor. A escola de Nilópolis explorou melhor os temas africanos no enredo sobre o Maranhão, tirando o brilho do navio negreiro que a Vila apresentou como um dos carros no enredo sobre Angola, mas a garra dos componentes numa explosão de felicidade exaltando Martinho da Vila garantiu um bom espetáculo.

Luiza Brunet desfilou pela Imperatriz / Foto: Antonio Scorza / AFP / CP

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