O ator uruguaio-gaúcho Roberto Birindelli (peça “Il Primo Miracolo” e novela “Poder Paralelo”, da Record) protagoniza o espetáculo junto com a atriz carioca Adriana Zattar a partir de texto de Francis Ivanovich, sob direção de Luiz Antônio Rocha. “É uma peça muito sensorial, que trata de morte e vida, da incomunicabilidade. São monólogos de dois quase suicidas que se ouvem por esta parede e em algum momento há a possibilidade deste encontro, que acaba sendo como dois bichos”, aponta Birindelli.
O universo dos personagens é desestruturado. Ele é um professor de literatura atormentado pelo passado, por erros de 20 anos atrás. Ela é uma restauradora de bonecas que tenta restaurar a própria história. O referencial teórico da montagem tem muito de Antonin Artaud, de teorias como a Crueldade ou o Ideograma Vivo. “A gente fazia o que o Artaud já preconizava, de envolver o espectador até debaixo da pele”, afirma Birindelli, que também assina a preparação corporal da montagem.
O diretor Luiz Antônio Rocha destaca o caráter transformador do teatro. “Faço teatro há 25 anos e nunca vivi uma experiência tão forte. Algumas pessoas da platéia conseguem tocar mais este precipício e se identificam com o que querem e não querem do que o texto apresenta”, afirma. O verbo afundar é literalmente conjugado no universo dos dois apartamentos, pois na ausência da condução pela trilha sonora as goteiras representam um pouco dos sons da ruína dos personagens. “Nós trabalhamos a luz nos momentos mais desestruturantes para dar um equilíbrio, mas literalmente os personagens afundam. Utilizamos 400 litros d’água durante o espetáculo”, diz Rocha, autor dos cenários e figurinos da peça.
Os atores e o diretor destacam a presença do autor Francis Ivanovich – que apesar do nome é carioca da gema – nos ensaios. “Ele participou de vários ensaios, presenciou o nosso mundo e reorganizou o texto a partir do nosso trabalho”, revela a atriz Adriana Zattar. Mais informações sobre o Festival de Curitiba no site www.festivaldecuritiba.com.br.