Arte & Agenda

Roberto Birindelli em drama sobre solidão, vida e morte no Festival de Curitiba

“A História do Homem que Ouve Mozart e a Moça do Lado que Escuta o Homem” estará cartaz em Porto Alegre em setembro

Ator uruguaio-gaúcho protagoniza drama em Curitiba
Ator uruguaio-gaúcho protagoniza drama em Curitiba Foto : Daniel Isolan / Festival de Curitiba
Um homem e uma mulher, cada um em seu quarto, com sons e estados de alma que vazam pelas paredes. Um drama que discute a solidão, a vida e a morte num dia chuvoso. “A História do Homem que Ouve Mozart e a Moça do Lado que Escuta o Homem”, é o espetáculo da companhia Espaço Cênico que entra em cartaz no Festival de Teatro de Curitiba, nesta segunda e terça-feira, às 21h, no Teatro Paiol. A peça virá para a Capital em setembro, no Porto Alegre em Cena.

O ator uruguaio-gaúcho Roberto Birindelli (peça “Il Primo Miracolo” e novela “Poder Paralelo”, da Record) protagoniza o espetáculo junto com a atriz carioca Adriana Zattar a partir de texto de Francis Ivanovich, sob direção de Luiz Antônio Rocha. “É uma peça muito sensorial, que trata de morte e vida, da incomunicabilidade. São monólogos de dois quase suicidas que se ouvem por esta parede e em algum momento há a possibilidade deste encontro, que acaba sendo como dois bichos”, aponta Birindelli.
      
O universo dos personagens é desestruturado. Ele é um professor de literatura atormentado pelo passado, por erros de 20 anos atrás. Ela é uma restauradora de bonecas que tenta restaurar a própria história. O referencial teórico da montagem tem muito de Antonin Artaud, de teorias como a Crueldade ou o Ideograma Vivo. “A gente fazia o que o Artaud já preconizava, de envolver o espectador até debaixo da pele”, afirma Birindelli, que também assina a preparação corporal da montagem.

O diretor Luiz Antônio Rocha destaca o caráter transformador do teatro. “Faço teatro há 25 anos e nunca vivi uma experiência tão forte. Algumas pessoas da platéia conseguem tocar mais este precipício e se identificam com o que querem e não querem do que o texto apresenta”, afirma. O verbo afundar é literalmente conjugado no universo dos dois apartamentos, pois na ausência da condução pela trilha sonora as goteiras representam um pouco dos sons da ruína dos personagens. “Nós trabalhamos a luz nos momentos mais desestruturantes para dar um equilíbrio, mas literalmente os personagens afundam. Utilizamos 400 litros d’água durante o espetáculo”, diz Rocha, autor dos cenários e figurinos da peça.

Os atores e o diretor destacam a presença do autor Francis Ivanovich – que apesar do nome é carioca da gema – nos ensaios. “Ele participou de vários ensaios, presenciou o nosso mundo e reorganizou o texto a partir do nosso trabalho”, revela a atriz Adriana Zattar. Mais informações sobre o Festival de Curitiba no site www.festivaldecuritiba.com.br.

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