A companhia, da cidade de Novo Hamburgo, foi a única selecionada pelo programa O Boticário na Dança, entre 39 contemplados no país. Em "Rogai" se pode conferir, ao mesmo tempo, o gesto cênico e a dura realidade dos migrantes, angústia socioeconômica e ecológica que assombrou - e ainda assombra - o Nordeste brasileiro.
Em 50 minutos de espetáculo, coreógrafo e bailarinos falam sobre a ausência: a ausência de água e futuro, mais à flor do entendimento, e a ausência mais profunda e visceral de tudo o que nos torna humanos: a ausência do outro, do sonho, da terra. "Rogai" usa trilha sonora eminentemente brasileira para dar voz à rude melancolia da alma cabocla que, mesmo diante do vazio seco, mantém viva a esperança.