Para os que conhecem a trajetória do atento observador da cotidianeidade da vida que é este maranhense nascido em 11 de abril de 1966, a oportunidade é ímpar. A intimidade poética de Zeca vem embalada somente pela sonoridade do piano, sintetizadores, samplers e acordeão de Adriano Magoo, colocando a afetividade do artista Á flor da pele.
"Acho que a afetividade amadurece, mas não muda", comenta. E segue: "as canções que ainda gosto de ouvir são aquelas que mexem com o coração e excitam o pensamento. Quando consegue sacudir os quadris também, tanto melhor", brinca, rindo. Sobre a "economia do show sem banda", Zeca é enfático. "A intenção não foi baratear custos, embora isso conte também, e a demanda que o show está tendo já comprova isso. A intenção era mudar de foco, ir por outro caminho depois de um ano de turnê de um show grande e rítmico, com uma banda de cinco músicos e com cenário de projeções, algo imponente, tocando em lugares grandes".
E o caminho parece agradar, mostrando um artista indo na contramão do mega espetáculo de sons e luzes. "É show para cantar em (bons) teatros, conversar com o público e cantar coisas que gosto, sem compromisso com nenhum disco de carreira", resume.
O show "Piano e Voz" traz novas e antigas canções autorais, além de várias releituras de músicas do seu repertório afetivo. Quem for ao Teatro feevale deve ouvir “Babylon”, “Bandeira”, “Cigarro”, “Flores no Asfalto” (Gerson da Conceição/ZB), “Zás” (ZB/Wado), “Uma Canção no Rádio” (Fagner/ZB) e “Não Adianta” (Sérgio Sampaio), entre outras. Zeca comenta que um disco neste formato está na lista dos muitos projetos seus a produzir. Este show pode ser considerado também uma espécie de "test drive" do projeto.