Primeira produção original britânica da Netflix, "The Crown", sobre o reinado de Elizabeth II, estreia no serviço de streaming no dia 4 de novembro. Trata-se de uma série ambiciosa, a mais cara já realizada pela plataforma (especula-se haver custado 156 milhões de dólares), que vai brindar o público com visual cinematográfico, primorosa reconstituição de época e figurino impecável.
Cada uma das seis temporadas previstas abordará uma década de governo da rainha, focando em rivalidades políticas, intrigas pessoais, peso e consequência de se estar a serviço da Coroa, além de explorar a linha tênue que separa a vida pública da privada. Inspirada em fatos reais, a série é dirigida por Stephen Daldry (dos longas "Billy Elliot" e "As Horas") e tem como roteirista Peter Morgan, que já escreveu sobre a atual realeza britânica em duas obras de grande sucesso, o filme "A Rainha" e a peça "The Audience", esta, uma dramatização ficcional sobre os encontros políticos semanais da monarca com os sucessivos primeiros-ministros que com ela despacham há 60 anos.
Pois é a peça a base de inspiração de "The Crown", cuja temporada inicial é protagonizada por Claire Foy (a Ana Bolena da minissérie "Wolf Hall") e coestrelada por John Lithgow (do seriado "3rd Rock From the Sun"), que interpreta o primeiro-ministro Winston Churchill. Esta temporada se inicia com Elizabeth ainda no posto de princesa herdeira e mostra as futricas, as paixões e as maquinações por trás dos acontecimentos que moldaram a segunda metade do século XX.
Nessa fase, há bastante emoção, como nas grandiosas cenas de seu enlace com Philip Mountbatten (Matt Smith, de "Doctor Who"), um primo distante, a quem ela conhecera aos 13 anos de idade e casara-se aos 21. A união ocorreu em 1947, época em que a Grã-Bretanha ainda se recuperava do desgaste da Segunda Guerra Mundial. O casal logo teve os filhos Charles e Anne. Já Andrew e Edward só nasceriam no início da década de 1960.
Outro momento marcante, e determinante, na vida de Elizabeth, retratado na série, é a morte prematura do pai, o Rei George VI (Jared Harris, o Lane Pryce de "Mad Men"). O fato, ocorrido em fevereiro de 1952, antecipou em décadas sua ascensão ao trono, antes mesmo de ela completar 26 anos de idade. A coroação oficial viria no ano seguinte, na Abadia de Westminster, e recriada na atração da Netflix em todo seu esplendor.
Porém, apesar de viver ladeada de luxo e riqueza, nem tudo no universo da jovem Elizabeth foi um conto de fadas. Só para ilustrar, de uma das falas da personagem vivida por Claire Foy sai a seguinte indagação: "Não acha que eu teria preferido crescer longe dos holofotes? Longe do escrutínio e da visibilidade?".
Soberana, jovem e mulher, uma vez coroada, Elizabeth tem de usar de pragmatismo e dedicação para conduzir a monarquia em um contexto histórico nada favorável: o Império Britânico está em declínio e, o mundo político, em desordem. Entre seus deveres, está o de relacionar-se e fazer aliança com o primeiro-ministro Churchill, um homem de 77 anos, arrogante e calejado pela guerra. Não só: ela tem de sobressair-se a essa figura lendária. No âmbito privado, a nova monarca precisa, ainda, lembrar-se sempre de que a coroa deve prevalecer aos seus caprichos pessoais.
Para contar a saga da família real nesta temporada, participam também do elenco Victoria Hamilton (da série "Doctor Foster") como a rainha-mãe, Vanessa Kirby (do filme "Como Eu Era Antes de Você") na pele da princesa Margaret, irmã mais nova de Elizabeth; Dame Eileen Atkins (da série "Cranford") como a rainha Mary; e Jeremy Northam (o Sir Thomas More da série "The Tudors"), como o primeiro-ministro Anthony Eden, sucessor de Churchill.
Assista ao trailer:
Série "The Crown" chega à Netflix em novembro
Produção britânica da plataforma aborda o reinado de Elizabeth II