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Símbolo da integração cultural latina, El Mapa de Todos começa nesta terça

Festival chega à sua sétima edição com sete atrações de diferentes estilos<br />

Uruguaio Daniel Drexler é uma das atrações do festival
Uruguaio Daniel Drexler é uma das atrações do festival Foto : Cristóbal Severín Garcés / Divulgação / CP
O El Mapa de Todos chega a sua sétima edição como uma referência de unificação da música latino-americana e com sete atrações, representantes das mais variadas vertentes culturais do continente. Criado sem grandes expectativas de ser tornar um expoente da cena independente, o festival arma suas estruturas no histórico Theatro São Pedro, em Porto Alegre, entre os dias 2 e 4 de maio. Sobem ao palco da "catedral da cultura gaúcha" o uruguaio Daniel Drexler, os mexicanos-brasileiros Francisco, El Hombre, os brasileiros Boogarins e os colombianos Romperayo. Yangos, Carmen Correa e Zudizilla irão fechar o line-up, mostrando o som gaúcho.

• Confira entrevista com Mateo Piracés-Ugarte, da Francisco, El Hombre


O curador do evento, Fernando Rosa, explica que a ideia surgiu a partir da percepção de que não havia muitos eventos dedicados à música latina independente. "No começo não tínhamos uma expectativa de que tomaria a grandeza que tem tido. Sabíamos que tinha espaço, mas não tínhamos clareza de como fazer. Partimos então de um conhecimento elementar e fomos construindo a partir disso", comenta. Pelo projeto que resultou dessa iniciativa, já passaram 96 artistas de 11 países da América do Sul, Central, México, Espanha e Portugal.

Rosa destaca que em sua origem, o El Mapa era voltado para o rock indie, mas a sua evolução aumentou o escopo das atrações. Isso motivou uma migração de local: desde a sexta edição, o festival é realizado no São Pedro; antes, tomava forma no bar Opinião. "À medida que fomos nos aprimorando, trouxemos também artistas de outros estilos, que têm na sua essência a voz, o som do violão. Como foi o caso do Daniel Viglietti em 2014, um senhor de 74 anos sentado na cadeirinha com um microfone na frente. Não conseguíamos imaginá-lo tocando numa casa de shows", analisa o curador. A organização então teve a ideia de levar o evento para os palcos de um teatro por causa da valorização sonora e foi surpreendida pela disponibilidade e abertura do mais antigo da Capital.

Rosa destaca que ainda existe uma dificuldade político-ideológica, não somente no Brasil, mas também nos vizinhos, que impede que essa cena deslanche em território ibero-americano. "Na medida em que vamos conhecendo melhor esse cenário, nos damos conta de que as bandas da Colômbia, por exemplo, têm muito mais circulação na Europa e Estados Unidos do que por aqui”, avalia. Para ele, uma das razões é o processo histórico de colonização que fez com os fluxos de trocas ocorressem principalmente entre os hemisférios Norte e Sul. “Nas décadas de 1970, existia uma grande circulação de disco por conta do bolero e do tango, mas a partir do momento em que a linguagem da música passou a ser o rock, esse corredor econômico cultural passou a ter uma hegemonia anglo-saxônica”, analisa. Trata-se, portanto, de um processo de retomada.

É aí que se insere o El Mapa de Todos, buscando chamar a atenção das pessoas para a música local. “São produtos de qualidade e que não conhecemos, assim como os povos aqui do lado não conhecem o nosso. Queremos ser um fomentador desse processo de troca”, afirma Rosa. Por isso ele prefere trabalhar com artistas que estão em desenvolvimento e se destacando pelos países daqui. “Temos um foco nas bandas emergentes, tentando conectá-las com alguma demanda que percebemos do público, mesmo que ela seja pequena ou às vezes até subterrânea”, brinca.

A escolha do line-up envolve um processo de pesquisa pelas redes sociais e de viagens pelo continente, para saber o que tem sido produzido, sempre guiada pela questão econômica. Entretanto, também há espaço para os grandes nomes da cultura. A sétima edição do festival é dedicada à cantora e compositora Violeta Parra, autora de clássicos do folclore latino, como “Gracias a La Vida”, “Volver a Los 17”e “La Carta”, entre outros mais. “Ela tem uma dimensão internacional, com um conjunto de músicas que toda uma geração da metade do século passado cantou”, diz Rosa. Em 2017, o Chile vai comemorar os 100 anos do nascimento da artista, cujas canções comprometidas com a luta dos oprimidos e dos explorados no continente foram regravadas no Brasil, por artistas como Milton Nascimento, Elis Regina e MPB4.

Quem for ao Theatro São Pedro prestigiar as atrações, pode esperar, de acordo com Rosa, música de qualidade e com uma irrepreensível condição sonora e de ambiente. “Também terá a possibilidade de conhecer novos artistas locais e nacionais, e de vivenciar esse intercâmbio que o festival proporciona”, avalia. Os ingressos já estão quase esgotados e custam entre R$ 20 e R$ 60. As entradas pode ser adquiridos pelo site ou na bilheteria local.

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