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San Sebastián é o palco do cinema

O Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha, festeja a sua 72ª edição

A atriz australiana Cate Blanchett recebeu no sábado a Concha de Ouro do Festival e citou a escritora brasileira Clarice Lispector em seu discurso
A atriz australiana Cate Blanchett recebeu no sábado a Concha de Ouro do Festival e citou a escritora brasileira Clarice Lispector em seu discurso Foto : ANDER GILLENEA / AFP

Considerado um dos mais importantes festivais do gênero no mundo, o Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha, movimenta o universo do audiovisual até o próximo dia 28, em sua 72ª edição. São homenagens e exibições que marcam, anualmente, momento importante da indústria cinematográfica mundial.

Iniciado na última sexta-feira, dia 20, o evento abriu com a estreia mundial do remake feminista do clássico erótico francês “Emmanuelle”. Dirigida pela diretora francesa Audrey Diwan, vencedora do Leão de Ouro em Veneza, em 2021, por “L'Evènement”, o novo “Emmanuelle” se apresenta como uma “exploração do prazer em uma era pós Me Too”. São 65 anos passados do lançamento do romance “Emmanuelle”, da franco-tailandesa Emmanuelle Arsan, e 50 anos depois da estreia do filme de mesmo nome, dirigido por Just Jaeckin e protagonizada por Sylvia Kristel. A nova versão é diferente de ambas. A produção é protagonizada pela atriz francesa Noémie Merlant, e foi exibida em inglês, com as esperadas “cenas picantes” como na primeira versão, como a cena de sexo em um banheiro de avião. Na versão atual, as aventuras ocorrem de Emmanuelle acontecem em um hotel cinco estrelas em Hong Kong e não em Bangcoc, como foi na produção original.

Serão muitas as exibições até o final do evento, que terá contabilizado em seu tapete vermelho as passagens de nomes como Pamela Anderson, Lupita Nyong'o, Monica Bellucci, Tilda Swinton, Isabelle Huppert, Andrew Garfield, Charlotte Rampling e Johnny Depp. Destaque para Depp e seu segundo filme como diretor, “Modi, Three Days on the Wing of Madness”, na seção oficial fora de competição.

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Brasileiros

Tem participações brasileiras no Festival de San Sebastián deste ano. Uma delas é do badalado “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que fez sua estreia no Festival de Veneza, com muitos aplausos. O longa também participa da edição do Festival de San Sebastián na Mostra Perlak, fora de competição. É a quarta vez que o cineasta participa do festival espanhol, onde esteve em 1995 acompanhando a estreia mundial de “Terra Estrangeira”. Retornou em 1998, com “Central do Brasil”, e, em 2004, com “Diários de Motocicleta”, ambos vencedores do Grande Prêmio do Público. “Central do Brasil” também ganhou o prêmio do júri jovem do festival. Já em 2015, que Salles exibiu o documentário “Jia Zang-Ke – Um Homem de Fenyang”. Enquanto o filme de Walter Salles mostra seu potencial já realizado, outra presença brasileira busca apoio por terras espanholas. Trata-se de “Crocodila” selecionado para o Europe-Latin America Co-Production Forum, do Festival de San Sebastián, e dirigido por Gabriela Amaral. Durante o evento, do projeto é apresentado a potenciais coprodutores internacionais, além de concorrer a prêmios oferecidos pelo mercado.

Homenagens

Entre as principais homenagens que ocorrem em San Sebastián neste ano está a feita para o ator espanhol Javier Bardem, com seu honorário Prêmio Donostia. Os outros dois prêmios desta edição do evento são destinados a dois outros nomes de peso: o diretor espanhol Pedro Almodóvar e a atriz australiana Cate Blanchett. “Vivemos em tempos incertos e busco coragem, de certa forma, em Clarice Lispector, a autora brasileira que é uma gênia absoluta, cujo trabalho tenho lido recentemente”, disse Cate no final do seu discurso de agradecimento.

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