O escritor e jornalista Juremir Machado da Silva disse hoje, em entrevista à Rádio Guaíba, que o escritor José Saramago, morto nesta sexta-feira, foi responsável por um estilo próprio. “Frases longas, com interpolações, estilo rebuscado e, ao mesmo tempo, fluente. Saramago fez uma literatura interessante com muitas metáforas. Foi um homem que se manteve, até o fim, fiel a suas idéias. Neste sentido, podemos brincar que José Saramago é um pouco como Dunga, um homem de convicções até o último minuto”, disse.
Já o escritor Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras, foi pego de surpresa. “Tá brincando? Que pena, tchê”. Para ele, a morte de um autor é uma perda para a literatura mundial. “Conheci o Saramago em encontros aqui no Brasil e no exterior. Mesmo com a fama de ranzinza, Saramago, na verdade, era uma pessoa adorável”, disse.
O português José Saramago, único escritor em Língua Portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, teve a morte confirmada por familiares e seu editor, Zeferino Coelho. Ele morreu em casa, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha).
O autor português estava doente em estado regular, mas a situação agravou-se, explicou o seu editor, Zeferino Coelho. O escritor era um dos maiores nomes da literatura contemporânea.
Saramago foi membro do Partido Comunista Português. Seu primeiro romance foi publicado em 1947. Ele é autor, entre outras obras, de Ensaio Sobre a Cegueira (1995), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) e A Caverna (2000). O primeiro livro foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, com o nome Cegueira (Blindness) e dirigido por Fernando Meirelles (de O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus).
Biografia do escritor
José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registro oficial seja do dia 18. Seus pais foram a Lisboa antes dos três anos de idade do escritor. Fez estudos secundários que não pode continuar por dificuldades econômicas.
Em 1972 e 1973 fez parte da redação do Jornal “Diário de Lisboa”, onde foi comentarista político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural da publicação. Entre abril e novembro de 1975 foi diretor-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976, ele vivia exclusivamente do seu trabalho literário.
A popularidade internacional veio em 1982, com “Memorial do Convento”, prestígio que consolidou com obras como “A Balsa de Pedra” (1986), “A segunda vida de Francisco de Assis” (1987), “História do cerco de Lisboa” (1989) e o “Evangelho segundo Jesus Cristo” (1991).
Em 1993, pelo que dizia ser perseguição religiosa dado o tom polêmico de suas obras, que se chocaram com representantes da Igreja Católica e a proibição da publicação de seus romances em Portugal, Saramago fixou residência em Lanzarote (Ilhas Canárias, Espanha),
Ganhador do Prêmio Camões em 1995, Saramago iniciou no mesmo ano a publicação da trilogia formada por "Ensaio sobre a cegueira”, “Todos os nomes” e “Ensaio sobre a lucidez”. Em 2008, iniciou um blog, “El cuaderno” (o caderno) e no ano passado apresentou seu último romance, “Caim”.
Confira uma lista de obras de Saramago
Terra do Pecado, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
Levantado do Chão, 1980
Memorial do Convento, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
A Jangada de Pedra, 1986
História do Cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio Sobre a Cegueira, 1995
Todos os Nomes, 1997
A Caverna, 2000
O Homem Duplicado, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez, 2004
As Intermitências da Morte, 2005
A Viagem do Elefante, 2008
Caim, 2009
"Saramago era como Dunga, um homem de convicções”, diz Juremir
Escritores destacam trajetória do único autor de Língua Portuguesa a receber um Nobel