O presidente de França, Nicolas Sarkozy, criticou a perseguição da Justiça americana ao cineasta Roman Polanski por estupro, 32 anos após os fatos, em entrevista ao jornal Le Figaro.
"Entendo que as pessoas estejam chocadas pela gravidade das acusações contra Roman Polanski. Mas acrescentou que não é uma boa administração da justiça pronunciar-se 32 anos após os fatos, num momento em que a pessoa em causa tem, hoje, 76 anos de idade", declarou Sarkozy.
Na entrevista publicada na noite desta quinta-feira no site do Le Figaro, Nicolas Sarkozy reconhece que a primeira reação de seu ministro da Cultura Frédéric Mitterrand ao caso Polanski foi um erro. "Frédéric Mitterrand admitiu que sua declaração foi um erro e que lamentava", estimou.
Frédéric Mitterrand havia considerado "absolutamente assustadora" a detenção do cineasta franco-polonês, qualificando os fatos que motivaram a detenção de "história antiga e sem sentido".
Polanski, 76 anos, vencedor do Oscar de diretor (2003) e da Palma de Ouro em Cannes (2002) por "O Pianista", é procurado pela justiça americana desde que, em 1977, foi processado por manter "relações sexuais ilegais" com uma adolescente de 13 anos.
Em outubro de 1993, 15 anos depois de ter fugido dos Estados Unidos por temer uma condenação a uma longa pena, Polanski fechou um acordo com a vítima, Samantha Geimer, para que retirasse as acusações.
Chegou a pagar, em 1993, pagar 500.000 dólares à vítima, Samantha Geimer, para que retirasse as acusações contra ele, revela a imprensa americana.
Apesar de não estar claro se o diretor respeitou o acordo - por evidências que figuram em um documento judicial - a atitude de Samantha Geimer mudou radicalmente a partir de 1997, quando passou a afirmar que concordava com o retorno de Polanski aos Estados Unidos sem que fosse preso.
O cineasta, que era convidado do festival de cinema de Zurique, foi preso no final de setembro ao desembarcar na Suíça e pode ser extraditado para os Estados Unidos.
O presidente de França, Nicolas Sarkozy, criticou a perseguição da Justiça americana ao cineasta Roman Polanski por estupro, 32 anos após os fatos.