O único show desta turnê previsto para o Brasil será apenas no dia 20 de setembro, no Credicard Hall, em São Paulo. Ao menos por enquanto, Porto Alegre está de fora do giro sul-americano.
Show no frio
Eram 21h20min da noite gelada de São Petesburgo, algo próximo de 0 grau centígrado da primavera russa, quando os cinco escorpiões subiram ao palco para ficar em cima dele quase duas horas e executar 20 músicas, algumas das quais arrepiam e emocionam na sua execução há um par de décadas. A música escolhida para abrir os trabalhos foi a faixa-título do último álbum lançado pela banda "Sting the Tail", um rock pegado com as bases rítmicas ditadas pelos guitarristas Matthias Jabs e Rudolf Schenker, remanescentes da formação mais clássica da banda junto com o vocalista Klaus Meine. Ao fundo, um enorme telão em tríptico, com a melhor tecnologia das luzes de led e os efeitos pirotécnicos imprescindíveis em qualquer grande show de rock.
O que se viu depois foi um desfile de grandes clássicos e novidades da banda, sempre com suave voz de Meine, como em "Is There Anybody There?" e "Loving in Sunday Morning". Antes de "Is There Anybody There?", Meine dirigiu as primeiras palavras ao público e foram em russo: "dobri vietcher" (boa noite) e "kak dyla" (como vão vocês), dizendo como é bom voltar a São Petesburgo com uma turnê pela conexão que a banda tem com a Rússia. Na pesada e sempre eficiente "The Zoo", Matthias Jabs utilizou um efeito de pedal wah-wah na voz e Meine puxou a primeira das várias participações do público com um "ooooh, ooooh, ooooh".
Meine seguiu agradecendo a energia do público com um "Spassíba (obrigado)" a São Petesburgo e tornou a falar da conexão com a cidade que exala arte, política e cultura. "Fazemos a nossa música há mais de 40 anos para estar com fãs como vocês de São Petesburgo", disse em inglês o carismático vocalista. A sessão balada veio logo com pérolas como "Always Somewhere" e "Holiday". Klaus Meine disse que a emoção da noite era forte e que o público ia fazer ele chorar até o fim da noite.
Depois puxou a famosa questão: "Are you ready to rock?" (Vocês estão prontos para o rock?) e a banda disparou o petardo embalado do disco novo, "Raised to Rock", seguida de "Tease me Please me". Depois, chegou a hora do momento narcísico do batera James Kottak, o cara que tem o sobrenome tatuado no peito e faz um solo de bateria interagindo com clipes sobre ele mesmo roubou a cena e deixou o público em polvorosa. O solo acabou com Kottak protagonizando no telão a clássica cena dos choques de "Blackout", a música escolhida para seguir a maravilha de show protagonizada pelos cinco escorpiões, incluindo aí o discreto mais eficiente baixista Pawel Maciwoda e o solo sem explicação em palavras do velocíssimo Matthias Jabs, que abusou da guitarra malhada e da sua stratocaster.
“Still Loving You” abre o bis
A primeira parte do show encerrou com a dançante e não menos clássica "Big City Nights". Solos vigorosos em duelo de Jabs e Schenker e o público batendo palmas ao comando de Meine foram a tônica da música. A banda agradeceu o carinho do público e Klaus Meine pegou umas duas bandeiras vermelhas do Partido Comunista jogadas pelo público. Na volta para o bis, veio a sempre mais emocionante e pop balada da banda "Still Loving You". Público cantando junto, casais aos beijos e solos de guitarra longilíneos.
Antes de anunciar "Wind of Change", Meine novamente disse que São Petesburgo é uma cidade maravilhosa e cheia de cultura e que esta música lembra muito da Rússia e dos ventos da mudança. Curiosamente, este 17 de abril foi o dia que Lênin voltou da Finlândia em 1917 para liderar a Revolução de Outubro. Nada é por acaso. Para terminar, nada melhor do que "Rock you Like a Hurricane" para atestar que o furacão dos Scorpions deixou São Petesburgo mais feliz e deixará os fãs da Europa, América do Norte, América Latina e Ásia até 15 de dezembro deste ano, com um show em Oberhausen, na Alemanha. Depois, nada se sabe. Esperamos que esta não seja a última turnê, pois o Scorpions está inscrito no rol das grandes bandas do planeta.