Formado por João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê, o projeto Dominguinho surgiu numa “resenha entre amigos” e se tornou um potente produto musical que reafirma o papel da música nordestina, em especial o forró, como música brasileira. Nesta quinta, 18, e sexta-feira, 19, o trio chega ao Auditório Araújo Vianna (Parque Farroupilha, 685), às 21h.
Mais do que audiovisual, é a identidade pessoal de cada um dos músicos que torna o álbum tão singular. O encontro da nova geração com o renomado sanfoneiro sergipano para celebrar a música cantada com o coração e com entrega. Tido como um “transbordamento de brasilidade”, o trio se reconhece no projeto. “É uma ponte entre gerações. Ele mantém viva a história do nosso povo e mostra que a música brasileira segue pulsando”, afirma Mestrinho, “é Brasil demais: é raiz, é verdade, é identidade”, finaliza Jota.pê.
No nome do projeto, uma clara referência ao sanfoneiro Dominguinhos - um dos maiores símbolos na música nordestina no Brasil -, falecido em 2013, aos 72 anos. A relação é ainda mais próxima de Mestrinho, parceiro de Gilberto Gil e Elba Ramalho, que sempre teve como inspiração a música tocada por Dominguinhos. Homenagem que se estende à sanfona carregada por ele, na qual tem gravado o nome do pernambucano.
Gravado no Sítio Histórico de Olinda, em Pernambuco, o álbum “Dominguinho” é uma experiência que embala as playlists com a suavidade dos domingos. No repertório, 12 canções foram selecionadas com os principais sucessos dos três artistas e uma faixa inédita, “Flor”, composta por Mestrinho, que recheia ainda mais com doçura.
“A gente foi ouvindo, lembrando histórias e deixando o coração decidir. Nada foi por estratégia: escolhemos o que emocionava a gente primeiro”, explica Jota.Pê.
Para o músico, a canção mais emocionante de gravar foi “Lenda”, composta por ele: “Ela é cheia de sentimento, muito verdadeira”, diz. Nos versos, uma paixão repentina: “Feliz de mim que desavisado/ Me vi apaixonado assim de supetão/ E da primeira vez que a vi, nem me mexi/ Foi-se a coragem”. No entanto, é “Beija-Flor”, também composta por Jota.Pê, que tem sido o carro-chefe do álbum.
“Eu sinto que o povo abraçou essa [música]. É a que mais escuto o público cantar com o peito aberto mesmo”, pontua João Gomes.
Assim como “Lenda”, o amor é tema central. Neste caso, o caminho que o coração percorre para perder o medo de amar.
Animados com a apresentação na capital dos gaúchos, os artistas não descartam a possibilidade de outros volumes serem gravados seguindo a mesma temática, já que “ficou música boa de fora”, segundo João Gomes. “Se depender de mim, tem parte 2, 3... o que for preciso pra continuar homenageando”, complementa.
GRAMMY LATINO 2025
Em novembro deste ano, em Las Vegas, o trio recebeu o troféu do prêmio Grammy Latino na categoria de “Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa”. Solo, os três já concorreram aos requisitados gramofones em projetos anteriores. Juntos, celebram o reconhecimento.
“A gente sonhava grande, mas a dimensão que tomou foi surpreendente. Quando a gente toca junto, tudo vira conversa musical”, comemora Mestrinho.
Ouça o álbum completo:
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*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes