Arte & Agenda

Segue a temporada de “Os Sofrimentos do Jovem Werther”

Primeiro clássico do alemão Johann Wolfgang von Goethe tem montagem neste sábado, às 20h, na KZA D, e nos próximos dois sábado, até 14 de dezembro

"Os Sofrimentos do Jovem Werther", de Goethe, com a Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA, tem apresentação neste sábado, 20h, na Sala 1 da Casa de Descentralização da Cultura - KZA D, e nos próximos dois sábados até 14/12
"Os Sofrimentos do Jovem Werther", de Goethe, com a Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA, tem apresentação neste sábado, 20h, na Sala 1 da Casa de Descentralização da Cultura - KZA D, e nos próximos dois sábados até 14/12 Foto : Tamara Mello / Divulgação / CP

Primeiro clássico do escritor e poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe, “Os Sofrimentos do Jovem Werther” (publicado em 1774) ganhou versão adaptada do coletivo Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA. O espetáculo teve sua estreia na semana passada e segue em temporada neste sábado, e nos dias 7 e 14 de dezembro, na Sala 1 da Casa de Descentralização da Cultura - KZA D (rua Santa Terezinha, 711), sempre às 20h. A montagem contou com recursos do Edital Bolsa Funarte de Apoio a Ações Artísticas Continuadas 2024 e do Edital Sedac/LPG nº 10/2023. Ingressos no local.

Romance epistolar (narrado através de cartas), a obra aborda o tema da impossibilidade do amor e se tornou o marco inicial do romantismo na Europa, desencadeando a fama de Goethe. Na adaptação realizada pelo grupo gaúcho, a dramaturgia segue a linha principal do roteiro original, mas desmonta a lógica do texto e traz à tona questões como o feminismo, a solidão, a busca do indivíduo pela liberdade de usufruir de sua vida em meio ao sistema em que está inserido, e a própria função do artista na sociedade.

O processo de montagem de "Os Sofrimentos do Jovem Werther, concebida com direção coletiva, teve início em janeiro deste ano e esteve inserido no contexto da oficina Teatro de Vivência, ministrada pelas atrizes Danielle Rosa, Pâmela Bratz e Ketelin Abbady, que integram o coletivo e estão no elenco, formado ainda por outros dois integrantes do grupo – Sandro Marques e Thomaz Rosa –, além de Marco Olgini – este, remanescente da oficina, que contou com 20 participantes.

Na trama, o jovem pintor Werther nutre uma paixão devastadora por sua amiga Charlotte, sem poder fazer nada além de sonhar. Colocada pelo coletivo teatral como ponto central da narrativa, a personagem é noiva do advogado Albert e pivô de uma comovente história de sofrimentos na burguesia da Civilização Ocidental. No decorrer do enredo, Werther termina por se desesperar e passa a apresentar-se como irracional e suicida: para ele, a vida só tem sentido com sua amada. Charlotte, por sua vez, fica dividida entre os dois homens, mantendo o compromisso com aquele a quem foi prometida em casamento, mas sentindo uma grande afinidade pelo amigo.

Ao mesmo tempo em que segue o papel imposto pelo patriarcado, a protagonista do espetáculo se revela – no íntimo – dona de si e de seus desejos. "Nos demos conta que não tinha como falar do homem no papel central, mas sim da mulher, que sempre está à mercê, subalterna, numa posição que não é justa para ela", pontua Danielle. A atriz destaca que, na peça, surgem outras personagens femininas que também arcam com opressão em outras posições. "É importante e necessário falar desta relação de como foi antes de nós, com nossas avós, nossas bisavós; é nossa bandeira de amor livre, da não-monogamia, da liberdade sexual, de culto, de trabalho, da mulher não se submeter", sinaliza. "Por outro lado, o personagem Werther é, de forma metafórica, a representação das pessoas que se apaixonam e sonham, vivendo em um mundo que clama por transformação – que é o nosso caso, como artistas que buscam isso através do teatro", emenda.

Trabalhando há 16 anos com temas que sirvam de terreno fértil para a discussão de seus anseios, o grupo Levanta FavelA... bebe nas fontes do Teatro do Absurdo, do Teatro da Crueldade (de Antonin Artaud), do Teatro Épico (de Bertolt Brecht) e do Teatro do Oprimido (de Augusto Boal). No caso da atual montagem, o coletivo investe nas duas primeiras linguagens para, no decorrer de dez cenas, apresentar uma dramaturgia densa, lírica e essencialmente psicológica, ao mesmo tempo em que celebra e insere na cena referências de matriz afro, com ênfase em Cosme e Damião, duas divindades da Umbanda protetoras das crianças. "Ainda que sempre com uma pitada de contemporaneidade e nonsense, gostamos de buscar nos clássicos a inspiração para falar de nossas inquietações", revela Marques. "Vínhamos, há algum tempo, abordando a temática da saúde mental em nossas discussões em grupo, a partir do evento da pandemia de Covid-19, que impactou muitas pessoas nesse sentido", ressalta o ator, ao se referir sobre o tema do suicídio, visto até hoje, pela maioria das pessoas, como controverso.


SERVIÇO

“Os Sofrimentos do Jovem Werther”

Datas: 30/11, 07/12 e 14/12, aos sábados

Horário: 20h

Local: Casa de Descentralização da Cultura - KZA D (Santa Terezinha, 711)

Ingressos: R$ 60,00 no local

FICHA TÉCNICA

Elenco: Sandro Marques, Danielle Rosa, Pâmela Bratz, Ketelin Abbady, Thomaz Rosa e Marco Olgini

Iluminação: Alexandre Malta

Sonoplastia: Ricardo Padilha

Contrarregragem: Antônia Alonso

Cenário: o grupo

Produção: o grupo

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