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Sem “Pequeno Segredo”, Academia revela pré-indicados ao Oscar

Lista contém nove nomeados à categoria de Melhor Filme Estrangeiro

"Toni Erdmann", da Alemanha, desponta como um dos favoritos a vencer a disputa
"Toni Erdmann", da Alemanha, desponta como um dos favoritos a vencer a disputa Foto : Divulgação / CP
"Pequeno Segredo”, aposta brasileira para representar o país no Oscar, não teve sucesso e está de fora da disputa a Melhor Filme Estrangeiro. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou na noite desta quinta-feira, uma relação com os nove pré-indicados na categoria, da qual o longa dirigido por David Schürmann não faz parte. A lista final será conhecida no dia 24 de janeiro de 2017, quando serão anunciados os finalistas de todas as modalidades da premiação mais importante do cinema. A noite de gala e entrega dos cobiçados troféus acontece em 26 de fevereiro, no Teatro Dolby, em Los Angeles.

Entre os títulos elencados, dois despontam como favoritos. O primeiro é o alemão "Toni Erdmann", que emocionou o tapete vermelho de Cannes e conquistou o Prêmio Lux do Parlamento Europeu. Na tragicomédia da diretora Maren Ade, apenas a terceira película de sua carreira, Winfried tenta se aproximar da filha Ines através do humor. Acontece que foi justamente o jeito brincalhão que fez com que ele se afastasse dela, sempre séria e extremamente dedicada ao trabalho. Depois de muito tempo sem se falarem, ele ressurge na vida de Ines sob o alter-ego Toni Erdmann, um especialista em contar mentiras bem-intencionadas a todos que ela conhece. Recentemente, o filme foi eleito o melhor do ano pela aclamada revista Cahiers du Cinéma.

O outro destaque é o iraniano "O apartamento", vencedor de dois troféus no Festival de Cannes deste ano. O filme de Asghar Farhadi, diretor que levou o Oscar em 2012 por “A separação”, conta a história de Emad e Rana, um casal que precisa evacuar o prédio em que vive devido a um risco de desabamento. Diante deste problema, eles passam a morar provisoriamente em um apartamento emprestado, onde Rana é surpreendida com a entrada de um estranho no banheiro, quando está tomando banho. O trauma faz com que ela se machuque seriamente e vá parar no hospital, o que afeta de maneira trágica a vida dos dois.

A lista traz o australiano “Tanna”, dirigido por Bentley Dean e Martin Butler, que retrata uma sociedade tribal na qual a jovem Wawa se apaixona por Dain, mas é oferecida em noivado como uma oferta de paz a outra tribo. Desesperados, os jovens precisam decidir entre fugir e ser felizes juntos ou zelar pelo futuro da comunidade. "É apenas o fim do mundo", produção canadense do promissor Xavier Dolan, também está na relação. No drama, o escritor Louis vai ao encontro da mãe, da irmã, do irmão e da cunhada para informá-los que irá morrer em breve. No entanto, o roteiro da reunião idealizada sai do controle de Louis assim que as mágoas, as memórias, as brigas e as lágrimas do passado ressurgem de maneira implacável. Este filme levou o Grande Prêmio do Júri em Cannes.

Uma das surpresas da listagem fica por conta da inserção do representante da Suíça, o stop-motion “My Life as a Zucchini". Com direção de Claude Barras, a animação, definitivamente não focada no público infantil, aborda a vida de Courgette, um rapaz de dez anos de idade, que é deixado em um orfanato pelo serviço de assistência social depois que sua mãe morre. Neste novo universo, ele deverá se relacionar com outras crianças que sofrem com o mesmo trauma que se acometeu a ele e aprender as hostilidades que o mundo pode oferecer.

Tríplice escandinava e dramas históricos na corrida:

Os países da Escandinávia marcam presença em peso na disputa. O sueco “Um homem chamado Ove” também concorre. Inspirado no cômico livro homônimo que foi sucesso de vendas no país, conta a história de Ove, que após a morte da esposa, decide dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, o senhor aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma. Trata-se de um romance comovente que mostra como amor e bondade podem ser encontrados nos lugares mais inesperados.

“Terra de Minas”, de Martin Zandvliet, representa a Dinamarca e mantém a tradição de filmes de guerra participarem do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O longa aborda um grupo de soldados alemães, outrora combatentes nazistas, que ao final da Segunda Guerra Mundial precisam escavar e remover com as próprias mãos dois milhões de minas em "terras inimigas" para compensar sua contribuição com o regime de Hitler. O norueguês “The king’s choice”, dirigido por Erik Poppe, está situado no mesmo período histórico. O drama conta os bastidores da fatídica escolha do rei Haakon VII da Noruega por não entregar o país ao nazistas, o que fez com que a família real fugisse.

Ganhador do Leão de Prata no Festival de Veneza, o russo “Paradise”, do premiado Andrei Konchalovsky, segue firma na corrida. A obra é uma dura história que transcorre na maior parte em um campo de concentração alemão, onde as vidas de três pessoas acabam se cruzando: Olga, uma aristocrata russa e membro da resistência francesa; Jules, um francês; e Helmut, um oficial de alta patente dentro das tropas nazistas. O cineasta de 79 anos e irmão do também diretor Nikita Mikhalkov se negou a representar seu país na competição em 2015 com "As noites brancas do carteiro", que foi um dos cinco finalistas.

Oscar esnoba o aclamado "Elle" e tradição italiana:

As reveleções dos indicados a premiações cinematográficas costumam ter surpresas. E no caso do Oscar 2017 isso são foi exceção. Nomeado para o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira no início desta semana, "Elle", dirigido por Paul Verhoeven, foi esnobado pela Academia. Cotado desde que estreou como um dos favoritos, o filme protagonizado pela estrela Isabelle Huppert falhou e não vai concerrer à estatueta no próximo fevereiro. Aclamada pela crítica mundial e considerada um dos melhores títulos do renomado diretor, responsável pelo clássico “Instinto Selvagem”, a obra poderia garantir à França o décimo terceiro Oscar da história.

A Itália, maior ganhadora na categoria de Melhor Filme Estrangeiro com 14 vitórias, não tem chances de aumentar o índice. O país fez uma escolha ousada ao escolher como representante o documentário "Fuocoammare", de Gianfranco Rosi. O filme conta o drama dos refugiados na ilha de Lampedusa e conquistou o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim.

Confira os pré-indicados:
"O Apartamento" (Irã)
"É Apenas o Fim do Mundo" (Canadá)
"Um homem chamado Ove" (Suécia)
"My Life as a Zucchini" (Suíça)
"Paraíso" (Rússia)
"Tanna" (Austrália)
"Terra de Minas" (Dinamarca)
"The King's Choice" (Noruega)
"Toni Erdmann" (Alemanha)

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