Em 2013, o ator e diretor cearense Silvero Pereira aportou em Porto Alegre para intercâmbio artístico que resultou no espetáculo “BR-Trans”, sob direção da gaúcha Jezebel De Carli (da Santa Estação Cia de Teatro). Doze anos depois, Silvero Pereira volta à Capital com seu novo solo, “Pequeno Monstro”, que tem apresentações hoje, 21h, e domingo, 18h e 21h, no Teatro Renascença (Erico Verissimo, 307) pelo 32° Porto Alegre Em Cena. Ingressos no Tri.Rs. No solo, Silvero denuncia impactos da estrutura que se sustenta na humilhação de corpos insubmissos à ideologia da heteronormatividade. Valendo-se das experiências, ainda menino no Ceará, ele expõe memórias da sua caminhada.
Ator com grande experiência no cinema e TV, Silvero agradece à convivência com Porto Alegre na década passada e revela que participa pela primeira vez do Em Cena. “Tenho uma relação muito afetuosa com Porto Alegre, onde eu estive em 2012 para montar o ‘BR Trans’. Foi quando conheci o movimento de teatro da cidade. Quando eu cheguei aí, eu já fazia teatro há quase 20 anos, mas não tinha explodido, me tornado uma figura pública. O “BR Trans’ fez isso, sendo um projeto Ceará-RS. Foi pela direção da Jezebel, em produção gaúcha que a gente fez com que o espetáculo tivesse essa comoção nacional”, lembra.
Sobre o novo solo, Silvero conta que segue a coerência com sua trajetória nos palcos:
“O meu trabalho com teatro sempre foi um lugar de questionamento, de provocação social. Sempre trabalhei temas que pudessem levar discussões à sociedade, deixar alguma mensagem, fazer com que as pessoas se questionem sobre suas atitudes de indivíduo no meio de uma sociedade, de como elas se relacionam coletivamente”, comenta.
O ator e diretor lembra que o solo é uma dramaturgia dele que tem como título o conto homônimo de Caio Fernando Abreu:
“Eu pego uma célula desse conto e a ideia principal desse conto, que é sobre um garoto que recebe a visita de um primo e se considera um pequeno monstro porque não se identifica com parâmetros sociais que dizem sobre como é ser humano, um homem em sociedade. Fui identificando a questão das violências LGBTs na infância, de como a gente sofre violências, fui buscando minhas violências, como fui violentado socialmente, na base do xingamento, do bullying, de uma série de coisas. Fui identificando outras histórias e a partir dessas outras histórias, em comparação com a minha, com a literatura do Caio, com a música, eu fui construindo essa dramaturgia”, finaliza.
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Confira a entrevista com Silvero Pereira: