O cenário funciona como um vazio, que pode ser uma tela a ser desenhada ou um papel a ser escrito. E os elementos são uma poltrona e uma chaise longue, onde se deita para revelar suas coisas mais íntimas, como a perda da mãe. Ali serão apresentadas quatro personagens, que representam momentos da vida de Clarice e ela, a protagonista. Conforme vai relatando, vai questionando como separar cada um deles de si própria, e discorre sobre o tema. Joana é uma adolescente que representa seu lado autora, dotada de um "impulso criativo incontrolável, sempre presente", define Beth. Ana é uma dona de casa dedicada à família. Lóri é uma professora que se prepara para viver um encontro amoroso e que, aos poucos, vai entendendo o que vai acontecer. Finalmente, uma mulher sem nome, enquanto caminha por Copacabana e reflete sobre Deus, se depara com um rato, na parte que representa a capacidade analítica da mulher.
"A vida e obra de Clarice é um manancial de possibilidades, que podem ser abordadas sob vários olhares. Ela falava, por exemplo, de crianças, mulheres, loucura e solidão, temas universais, atemporais e que tem a ver com humanidade de forma geral", afirma a atriz, cujo interesse maior foi aproximar as pessoas da escritora, com aura de inatingível. Supervisionada pelo diretor Amir Haddad, Beth assina adaptação, direção e interpretação da montagem, com caráter sensorial.