Desculpe o trocadilho, mas tenho de começar a análise do show do Slayer na noite de quinta-feira no Pepsi On Stage, em Porto Alegre, classificando-o simplesmente como “matador”. O local estava totalmente tomado por roqueiros de camisas pretas – muitos beirando os cinquenta anos ou já passados desta idade, como o cronista aqui – , para esperar ver pela primeira vez na Capital uma das bandas icônicas do Heavy Metal e única integrante do Big Four que nunca havia se apresentado por estas plagas; já havíamos sido visitados pelo Metallica, Megadeth e Anthrax.
E a espera de quase 30 anos não foi em vão. A banda começou a se destacar para os roqueiros brasileiros em 1986, quando do lançamento do disco “Reign in Blood”. A apresentação de abertura foi realizada pela banda também californiana Red Fang, surgida em 2005. Foi um espetáculo curto, de 45 minutos, que até empolgou a galera com seu som pesado, mas com músicas desconhecidas pela plateia, que não parou de gritar “Slayer”, e os músicos lá, sorrindo e pedindo “calma, calma, eles (Slayer) já vem”.
Então o relógio marcou 22h15min, as luzes se apagaram, e os vultos dos integrantes do Slayer puderam ser vistos. O baixista e vocalista Tom Araya, o guitarra solo Kerry King, o guitarra rítmica Gary Holt, que é o líder para mim da melhor banda thrash de todas, o "Exodus", e que agora bate ponto-duplo substituindo o falecido Jeff Hanemann, e o baterista Paul Bostaph, que entrou no lugar do demitido Dave Lombardo. O espetáculo privilegiou quase todo ele os anos 1980, era do auge do heavy metal e que fez a maior parte das pessoas que estavam no Pepsi On Stage ter entrado nesta viagem eterna – era só notar os cabelos brancos de muitos ou a falta de cabelos. Claro, também tinha um pessoal mais novo, mas os velhinhos imperavam.
O primeiro petardo foi "Repentless", do mais recente disco homônimo. E foi o estopim para o mosh praticado pelos espectadores, que fizeram uma grande roda na pista, e ficaram se chocando uns nos outros – resisti apenas alguns minutos e logo todo meu corpo estava dolorido por total falta de ritmo. E também idade avançada para dar e levar cotoveladas, empurrões e joelhadas. Sem dar descanso, o Slayer emendou "The Antichrist", "Disciple", então entrando os acordes do primeiro clássico, "Postmortem", do seminal “Reign in Blood”. Na sequência, "Hate Worldwide", e então veio "War Emsemble", do genial “Seasons in the Abyss”.
A pancadaria continuou solta com "When the Stilness Comes", "You Against You", "Die by the Sword", tirado do disco de estreia de 1983, “Show no Mercy”. Logo depois outra oitentista, "Chemical Warfare". Então Tom Araya deu uma pausa para a gente respirar, e falou que havia chegado a hora de uma “love song” – então dispararam "Dead Skin Mask", que fala sobre um serial killer. Fofos. Depois outra oitentista, "Captor of Sin". E mais outra, "Mandatory Suicide". O espetáculo começava a chegar ao ápice, e a banda mandou mais uma do primeiro disco, "Fight Till Death". A próxima foi a clássica "Seasons in the Abyss", encerrando com "Hell Awaits", de 1985.
Breve parada para o bis. As luzes se apagaram, e a banda voltou com "South of Heaven", de 1988. Depois tudo ficou num vermelho forte, indicando que viria a pancada "Raining Blood". Sem palavras...ops, não, claro que não, caso contrário como poderia escrever o resto? Emendada com "Black Magic". E a cereja do bolo, a finaleira? Ora, "Angel of Death", a mais conhecida de todas, do "Reign in Blood", e que fez o Slayer ser acusado de nazista, quando a música fala na realidade das crueldades praticadas pelo médico da SS Joseph Mengele em Auschwitz durante a II Guerra Mundial. Muita bateção de cabeça, a letra na ponta da língua, camisa grudada no corpo de tanto suor e dores pelo corpo. Mas valeu a pena. Um dos grandes espetáculos de metal que já passaram por Porto Alegre. Que não demorem muito para retornar. Slayerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.
Slayer faz show "matador" em Porto Alegre
Grupo californiano se apresentou pela primeira vez na Capital na noite de quinta