A insatisfação com o meio publicitário e a necessidade de expressão levou Luciano Mallmann a escrever em forma de depoimento, as suas experiências e de seus amigos, que resultaram no espetáculo "Ícaro", em últimas apresentações no Instituto Goethe (rua 24 de outubro, 1120), desta sexta a domingo, às 20h. Todas as seis histórias tem como ponto em comum homens e mulheres que passaram a usar cadeiras de rodas, após terem sofrido uma lesão medular.
No início havia apenas uma ideia vaga de fazer algo direcionado ao teatro, mas cada vez escrevia mais e os conhecidos o incentivavam. Sua amiga de longa data, a atriz e diretora Liane Venturella, ficou entusiasmada e o pilhou a fazer palestras, a serem apresentadas em seminários. Mas como é um artista e a ideia foi crescendo, ao trocar quatro frases teve certeza de que ela seria a melhor pessoa para dirigir a montagem, dada a sensibilidade exigida. Centrada totalmente no trabalho de ator, sem cenário e figurino, a peça com 1h de duração e mistura ficção com realidade. Ela começa com a concepção do espe´taculo e segue com relatos de uma menina tetraplégica, que não se relaciona bem com a mãe; um homem em coma, às voltas com alucinações; um suicídio assistido; e uma mulher que teve um filho.
"Não sou a favor da palavra 'superação', termo geralmente ligado a pessoas com deficiência. Porque todo mundo passa por isso, de uma forma ou de outra. Claro que após a tragédia precisei mudar, mas não tem como comparar sofrimento", diz Luciano, cadeirante há 12 anos. O ator gaúcho iniciou sua trajetória em 1991, na Cia das Índias, com direção de Zé Adão Barbosa. fez quatro espetáculos e duas novelas ("Mandacaru" e "Meu Bem Querer") e se mudou para o Rio de Janeiro, cinco anos depois, onde participou da Oficina de Atores da Globo e da peça "A Dama do Cerrado de Mauro Rasi.
Integrou o elenco de sete espetáculos, desde então, e em 2004, ao sofrer um acidente com tecido aéreo, passou a usar cadeira de rodas. Voltou para Porto Alegre, onde atuou como publicitário e em 2011 voltou a atuar, no drama rodrigueano "A Mulher Sem Pecado", que também produziu, com direção de Caco Coelho.
Solo de Luciano Mallmann faz últimas sessões no Goethe
"Ícaro" traz seis histórias de cadeirantes, que mesclam ficção e realidade