Arte & Agenda

"South Park" censura imagens de Maomé após ameaças extremistas

Todas as menções ao nome do profeta foram substituídas por um "bip"

O canal Comedy Central censurou esta semana todas as referências ao Profeta Maomé em um episódio da série de animação "South Park", famosa por sua total irreverência, depois que seus criadores receberam várias ameaças de morte. Um porta-voz da emissora (grupo Viacom, também proprietário do estúdio Paramount), confirmou nesta quinta-feira à AFP que o canal substituiu com um 'bip' todas as menções ao nome de Maomé na trilha sonora do desenho.

"Posso confirmar que o Comedy Central acrescentou 'bips' depois de receber o último episódio", declarou o porta-voz. As imagens do profeta foram, por sua vez, cobertas de negro. O canal não confirmou oficialmente que as mudanças estejam vinculadas às declarações realizadas no início da semana pelo grupo Revolution Musulman (Revolução Muçulmana).

O grupo extremista declarou que os criadores de "South Park", Matt Stone e Trey Parker, corriam o risco de acabar como o cineasta Theo Van Gogh, assassinado por um extremista muçulmano em Amsterdã, em 2004. "Devemos advertir a Matt e Trey que o que fazem é idiotice e que provavelmente terminarão como Theo Van Gogh por difundir esse programa", declarou o grupo, que, apesar de divulgar o endereço eletrônico dos produtores, negou estar incitando a violência.

"O Revolution Muslim quer apenas que as pessoas ofendidas possam manifestar sua oposição enviando e-mails para os criadores do programa", assegurou um porta-voz do grupo ao canal CNN. A reação do Revolution Muslim ocorreu depois da difusão de um episódio, em 14 de abril passado, no qual Maomé aparece fantasiado como um ursinho de pelúcia. O programa foi censurado em sua segunda exibição.

"South Park", que acompanha as aventuras de quatro jovens estudantes em uma cidade imaginária do Colorado, geralmente mexe com personagens religiosos desde que estreou na TV há 13 anos. "'South Park' já colocou na tela as figuras de Jesus e Satã, ridicularizou os mórmons, acabou com a cientologia, debochou do catolicismo e mostrou Buda consumindo cocaína", recordou o jornalista Andrew Sullivan no blog Atlantic Online.

"Nenhum fiel desses grupos ameaçou de morte o Matt e o Trey, mas evidentemente não é o caso dos islamitas sunitas", afirmou ainda. A publicação, em setembro de 2005, no maior jornal dinamarquês, de 12 caricaturas de Maomé provocou uma onda de protestos contra a Dinamarca no mundo muçulmano. Seu autor foi ameaçado de morte em várias oportunidades.

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