Já é sabido que Steven Spielberg é um dos grandes cineastas vivos. Ele afirma ainda mais a condição ao lançar no Festival Internacional de Cinema de Toronto (Tiff) “Os Fabelmans”, e ganhar neste final de semana o prêmio de Melhor Filme pelo Voto Popular, o mais importante do Festival.
Trata-se de um filme que usa o cinema para falar de sua magia e dos caminhos da vida. Spielberg consegue novamente sair do lugar comum, colocando este lugar comum num patamar maior em contato com a reflexão sobre a própria vida de cada indivíduo. Os personagens da trama crescem à medida em que se conectam entre si e revelam seus dilemas mais profundos.
Neste filme o diretor de vários clássicos trabalha com a magia do cinema e mais ainda com a revelação que a câmera pode fazer aos olhos atentos de quem observa.Quando os pais do protagonista o levam pela primeira vez para sonhar no cinema, e o filho revela o medo de sonhar, ali já se estabelece uma conexão entre tela e vida. A narrativa cresce e a lente vai revelando verdades que nem sempre são as mais agradáveis, construindo lembranças que nem sempre são as mais felizes.
Ao mesmo tempo, ao colocar a câmera a revelar aquilo que de mais verdadeiro há em cada um, surpreende inclusive a quem se vê refletido na tela em uma imagem que não é a que tem de si mesmo. E a produção propõe uma reflexão que vai avançando, passa pelas relações familiares, é arrasada pelo final de uma união, e destruição da ideia do “felizes para sempre”, ao mesmo tempo em que vai na direção da realização pessoal através do cinema. E no final, “The Fabelmans” encontra tempo para uma homenagem linda e brilhante a quem merece também, por ser outro gênio do cinema. Aqui também “a vida é bela”, apesar de dura. E Spielberg é aplaudido de pé.
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