Gil conheceu Stevie nos anos 1980, quando fez "Só Chamei pra Dizer Que Te Amo", versão de "I Just Call to Say I Love You", do cantor e compositor americano. Ambos negros, ativistas e operários do ritmo. Stevie, funk soul brother que está no Olimpo da black music, mudou a face da música moderna com canções como "Superstition" (1975), base de tudo para dançar que viria depois. Gil foi o aríete do tropicalismo.
O primeiro encontro musical aconteceu em Washington. Gil estava em turnê e lembra como foi: "Estava ensaiando, passando o som de tarde, quando recebi um telefonema. ?Stevie Wonder está em Washington e quer falar com você. Stevie Wonder? Aquele Stevie Wonder??, perguntei. Tinha acabado de gravar a versão de "I Just Call to Say I Love You". Liguei e ele disse que queria ver o meu show. Falei ?claro?. E reservamos uns cinco lugares, ele veio com comitiva", lembra. Stevie subiu ao palco e tocou gaita em "I Just Call".
O americano estava na capital dos Estados Unidos para uma audiência no Congresso, no dia seguinte. Pleiteava o dia Martin Luther King. "Fomos jantar, depois fomos para o hotel dele. Estava hospedado no Watergate, famoso hotel do ex-presidente Nixon. E foi uma conversa longa, ficamos a noite toda, até as 7h30min da manhã. Ele falando sobre como estava receoso de represálias, sabia que eu tinha uma inserção política aqui no Brasil. E daí nasceu essa camaradagem. Quando ele veio fazer uma excursão no Brasil, pediu para que eu participasse".
Depois disso, Stevie voltou a convite do já ministro Gilberto Gil, em 2006, para um simpósio sobre negritude em Salvador. Quando houve o Rock in Rio, no ano passado, o americano era um dos astros. "Eu estava em casa, 1h da manhã, e ele me ligou lá do camarim. ?Gil, você não vem ao show?? Eu não podia, tinha chegado de Salzburg, estava morto. Disse: amanhã vou lhe visitar no hotel. Fui, ficamos horas conversando." Erasmo Carlos, durante o mesmo Rock in Rio, indagado se gostaria de ver alguma banda em especial ali, respondeu: "Não. Já vi o Stevie Wonder, então já vi tudo!". Agora, um milhão poderá conferir nas areias de Copacabana se o tremendão tinha mesmo razão. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.